Ôôô Maquinista!!!

{ sexta-feira, 9 de julho de 2010 }

Hoje fui ver “O Segredo de Seus Olhos”, linda obra argentina ganhadora do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. No final da exibição, uma falha técnica conseguiu estragar um pouquinho a grande sacada do filme; ele apareceu cortado e as legendas surgiram na parte superior da tela.
Com um pouco de esforço, até daria para assistir tentando administrar as falhas, não fosse por um senhor bem idoso que começou a bater palmas, tirando a atenção de todos ao esbravejar: “Ôôô maquinista!”.
Sim, segundo o dicionário, maquinista é aquele que opera uma máquina, no caso, o projetor. O nosso amigo idoso não estava errado, só um pouco ultrapassado. Hoje em dia, chamamos esse profissional de operador de cinema e deixamos o “maquinista” para aquele que dirige trens.
O episódio que me fez dar boas risadas, reacendeu algumas lembranças de infância, quando minhas avós me faziam quebrar a cabeça com algumas expressões:

- Na sua idade, eu era uma uva: No dicionário moderno da avó Nair, nascida em 1908 e que aliás, era a rainha das gírias da década de 40, “uva” queria dizer “mulher bonita”. Como eu odeio uva, nunca entendi muito bem essa comparação...

- Você está incomodada?: Segundo o vocabulário da avó Cândida, nascida em 1913, a menstruação era algo tão desagradável que a mulher sangrando só poderia estar incomodada. Faz sentido!

- Aquela lá era do chifre furado: Dona Nair se expressava assim quando queria dizer que tal pessoa já aprontou algumas na vida. Acredito que se compara ao atual “biscate”, entendeu?

- Aquele gostava de uma fuzarca: Essa é outra gíria bem legal das vovós, que quer dizer que o sujeito era chegado numa farra – e talvez não servisse para constituir família.

- Do tempo do onça: O significado é óbvio: trata-se de algo muito, muito velho (assim como a própria gíria), já que “onça” era uma medida antiga de peso. Da expressão, surgiram variantes como: “do tempo do zagaia”e “do tempo do ronca”. Vai entender...

Mas será o benedito? Vovós falavam isso quando estavam espantadas ou chateadas ao invés do nosso “puta que o pariu!”, que porventura, é um desabafo mais modernoso que cumpre bem melhor o efeito de aliviar uma topada do dedinho na quina. Eu acho.

Espero que tenham achado o texto bem bacana, pois seria o fim da picada não fazer algo supimpa pra vocês. Ósculos e amplexos e até o próximo post!

3 palpites:

Bordunga disse...

Muito bom! Este texto me remeteu a diversas lembranças, dentre elas aquele ótimo desenho "O Fantástico Mundo de Bob", em que ele sempre imaginava ao pé da letra as expressões que lhe diziam os adultos, lembra? Lembrou-me minha amiga me zoando quando falo "que barato", ela diz que só falta eu complementar com "mó brasa, mora" e, pra finalizar, as cartinhas da minha mãe que sempre vêm repletas de ósculos e amplexos.

Arrasou!

Bordunga disse...

Ah, lembrou-me também que pre-ci-so assistir a este filme... hehehehe

RenataBV disse...

huahahauhaua eu adoro estas expressões regionais! E veeeeelhas, rssrsrs

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