Por que você matou o cara?

{ sexta-feira, 16 de julho de 2010 }
Gafe é uma coisa que na minha família passa de geração para geração. Está arraigada no DNA, junto com a distração característica dos Komar. Outra coisa muito comum entre as mulheres lá de casa é que todas têm acessos de riso constantes e inconvenientes e por qualquer besteira. Certa vez, até podia ter morrido por causa disso.

Ainda foca, por volta dos meus 20 anos, eu era repórter policial do extinto Clube Verdade. Numa madrugada qualquer – provavelmente de um final de semana, já que sempre fui sorteada com os plantões de sábado mais movimentados do mês – fui chamada para o esclarecimento de um homicídio, ou seja, pegaram o autor de um crime que acontecera umas duas semanas antes.

Na DIG, os investigadores apontaram o suspeito, um menor de idade sentado numa salinha, e nos deram permissão para entrevistá-lo. Posicionamos o garoto para que ele ficasse de costas pra câmera, sendo que eu permaneci de frente para o cinegrafista, o Xanana, um figuraça e foca, assim como eu. Ligamos o equipamento e eu comecei a entrevista: “Qual o motivo do crime?” Disparei. Nesse instante o menino começou a suar e a contorcer o pescoço: “Ahhh po...por..po...por...”. E sua mandíbula ia e vinha e só saiam grunhidos da boca do rapaz, que era completamente gago.

A situação foi piorando conforme ele ia ficando nervoso. E minutos se passaram e nada do coitado conseguir desenvolver uma única frase. E eu já não aguentava mais disfarçar minha vontade de soltar uma gargalhada quando, de repente, foi inevitável. Olhei pro Xanana e a câmera já estava pulando em seu ombro e aí me entreguei a uma incontrolável e infindável crise de risos.

Não sei ao certo quanto tempo demorou aquele tormento, mas me recordo que o desespero era tanto que fiz promessa até pra Santo Expedito me fazer parar de rir. Fui aos poucos me refazendo do bafo, me concentrei, pedi desculpas e voltei a fazer a maldita pergunta: “Por que você matou o cara?”

A resposta, enfim, saiu em doses homeopáticas da boca do adolescente, como que se a adrenalina e o ódio do momento tivessem feito ele parar de emitir sons bizarros para voltar a formular palavras: “e-e-eu ma-ma-ma-ttttt-tei po-po-porrr-que e-ele rrriu da-da mi-mi-mi-nhaaa gag-gag-gag-ga-guei-ra”. Fim da entrevista.

13 palpites:

Maria Fernanda Ribeiro disse...

Hahahaha!!! Pqp eu ri do seu texto desde o começo da história, mas parei na hora quando o gago homicido explicou o seu motivo. Acho que eu também poderia ter morrido. Só dou risada quando não pode.

Gabriela Yamada disse...

hahahahahahaha

Dan Gutierrez disse...

kkkkkkkkkk.. Muito bom!

Giuliano Marcos disse...

Lembro bem dessa história Li... Coisas dos bons tempos do Clube Verdade...

Dan disse...

ahauhua. hilário. mas terrorista no fim. rs
bjo

tresnortes disse...

hahaha, é sério isso?

Lívia Komar disse...

É seríssimo, Fabi! História antiga dos bastidores do jornalismo policial aqui em RP...

RenataBV disse...

huahuahauhauhauhauhaaua tô chorando de rir aqui! Ainda bem que ninguém que matou alguém porque tava rindo, está aqui por perto.

amandafulanna disse...

pouts, ser jornalista pode ser muito pepeperigoso.
hahah, rachei de rir.

Shirley disse...

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK, eita, ainda bem que já estava preso, com certeza ia ser a próxima vítima kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, eu também tenho esse Dom dar risada quando não pode, hahaha.

Netinho Eneias Negralha disse...

AHUAUAUHAHUAHUAHU Sabe se ele ja saiu da cadeia? hauhuahu

dj luciano bravo disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk ainda bem que vc curou ele né kkkkkkkkkkkkkkkk

Fabiola Medeiros disse...

ahsuehauheUHUAEHUhuehauhuHEUAHUHueahuhUHEUAHUheuhauhUHEUAHUhuehauhUHEUAHUhuehauhUHEUAHUHUhuahuHUEHUA

PELAMORDEDEOSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS

huahesuhusehausehauheuahe
asheuahseuahseuhaseuahsuehau

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