Um brinde com cicuta à Lei de Gerson

{ quinta-feira, 8 de julho de 2010 }

Ontem eu estava no Centro procurando uma vaga para estacionar o carro. Uma vaga na região central de Ribeirão é uma mosca branca, mas o que eu faria seria jogo rápido e dispensei o estacionamento. Depois de rodar por alguns minutos, enfim, um motorista avisou que estava saindo e dei espaço para ele manobrar o carro, logicamente, com a seta sinalizando que entraria ali, naquele local. Não havia dúvidas.
Mal o carro saiu do espaço reservado a mim por leis dos bons costumes sociais, o veículo que estava logo atrás simplesmente entrou na vaga, sem se preocupar nem um pingo se estaria passando por cima dos direitos de um terceiro, afinal, o mundo é dos espertos, não é mesmo?
Esse tipo de absurdo sempre acontece comigo. Talvez o Cosmos queira me provar que é necessário ser mais tolerante com a limitação intelectual e com a dificuldade de viver em sociedade de algumas pessoas. Dei o alerta em alto e bom som de que chegamos lá primeiro e que a vaga seria minha, porém, mesmo assim, o sujeito não se mostrou arrependido. Pelo contrário. Acho que ele não entendeu até agora que existem regras sociais até para ações cotidianas, como estacionar um carro.
Se fossem outras épocas, como já aconteceram duas vezes, uma no estacionamento do Carrefour e outra no do Wall Mart, talvez eu armasse um barraco homérico com o motorista (ou a motorista, como num dos casos) com direito a uma guerra – não, não sou nada fina quando o assunto é justiça – até conseguir minha vaga de volta. Mas dessa vez, não. Consegui apenas ficar com pena do sujeito tamanha inferioridade que ele demonstrou. E depois de uma rápida discussão, deixando claro que ele fez besteira, fui embora para não empacar ainda mais o trânsito e logo achamos outra vaga.
É um desrespeito cívico furar fila, roubar vaga de estacionamento, jogar lixo pra fora do carro, colocar um cone na frente de uma loja para ninguém estacionar naquele local – que é público, diga-se de passagem, não ceder um assento para um idoso debilitado ou para uma mãe com criança no colo num ônibus. Mas também é um desrespeito contra a sociedade você não manifestar sua indignação diante de tais atitudes.
Gerson, ex-jogador de futebol, imortalizou a frase ‘Gosto de levar vantagem em tudo’ numa propaganda de cigarros da década de 70. Nenhuma declaração poderia cair tão bem na personalidade do brasileiro médio. Mas quem tem a cara-de-pau de roubar uma vaga, por exemplo, não é esperto, como diz a Lei de Gerson; é uma maçã podre capaz também de cometer delitos um pouco mais graves contra a sociedade. Cuidado com a esperteza, malandragem!

4 palpites:

brancomayara14 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dan disse...

o jeitinho brasileiro é a vergonha nacional. Dá vontade de riscar o carro do cara todo, mas fazendo isso nos rebaixamos ao nível dele nao é? Só nos resta torcer pelo triunfo da civilidade!
bjo

RenataBV disse...

Nussssssss essa cidadezinha de gente medíocre!!! Mas eu folgo em saber que não é só aqui não. Entretanto, vou te ensinar uma coisa muito legal. Qdo vc for estacionar aqui nessa m...(piiiii) de cidade, faça o seguinte:
Pare ao lado da vaga (paralela a ela). ponha as mãos para fora do carro e, como uma louca, comece a dar sinal pro motorista de trás que vc vai estacionar alí. Faça como aqueles caras que ajudam a estacionar aviões: Gestos largos que sinalizem "este carro vai entrar aqui, espere"
Só então vc vai adiante para fazer a manobra, como toda boa motorista.
Se o FDP, ainda assim entrar na sua vaga, sugiro que dê uma ré e bata na porta dele.
Ou ande com um ovo no carro, nesse caso jogue pela janela do passageiro. Bem na fuça!

Lívia Komar disse...

Ai Rê, uma vez arranquei uma patricinha pela janela do carro lá no Carrefour pq ela entrou na minha vaga e ainda ficou dando risadinha pra mim....kkkkk! Hoje eu dou risada, mas foi um bafão terrível. Porém, didático. Essa, nunca mais passa por cima dos outros (mesmo pq eu destruí seu salto)...hahahaha!

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