A velha história dos 30 anos

{ quinta-feira, 19 de agosto de 2010 }
Ontem fui ao dentista e pela primeira vez em quase cinco meses, tive que preencher o item ‘idade’ numa ficha. Ri sozinha da minha reação de espanto, titubeei, mas foi em vão. ‘30’.
Para quase toda mulher que conheço a proximidade com os 30 anos representa um tormento. Comigo não foi diferente. Assim que saí dos 25, senti o peso do que estava por vir e comecei a providenciar ácidos retinóicos mais potentes. E a pensar no futuro. Ah! Como o futuro está próximo...
Em março desse ano, enfim, as três décadas bateram à porta. Vieram cheias de insegurança e conflitos existencialistas típicos da mulher moderna. “Como assim, 30 anos e ainda nem pensei em adquirir a casa própria?”. Na época da minha mãe, os embates seriam outros: “sou uma solteirona, não tenho filhos e meu enxoval está criando mofo”. O que acontece é que desde que o mundo é mundo, os 30 anos são aterrorizantes.
Mesmo durante a comemoração, os questionamentos foram surgindo e tentando corroer aquele cisco de autoestima que ainda insiste em existir mesmo com o recente inferno astral típico dos aniversariantes.
“Até ontem eu era foca, namorava no portão, brigava na escola, ia pros rock n´roll com o povo da faculdade e quebrava tudo. Aguentava as noitadas até de manhã e depois ia comer um croissant gorduroso pra curar a bebedeira, não tinha aquela marquinha de expressão nos olhos, não precisava lutar contra o ‘tchauzinho’ do braço e enxergava que era uma bê-lê-za. Como assim, tudo passou tão rápido?”. 30 anos é o portal para a maturidade, aquele que você não quer passar tão cedo.
Por sorte, acordei em tempo e percebi que a troca de estágios [ou de décadas], assim como a muda da pele das serpentes, vem cheia de renovações. Somente um tempo depois de ter completado meus 30 anos, tive um insight de que estou na fase mais feliz da minha vida.
Sou uma mulher segura, independente, realizada profissionalmente, com algumas conquistas financeiras das quais me orgulho, com uma família linda e, sem brincadeira, me sentindo mil vezes mais bonita do que quando tinha 20 anos. E, quando chegar a hora certa, terei um apartamento novinho em folha para poder chamar de meu.
O que falta nas mulheres que estão deixando os ‘inte’ para ingressar nos ‘inta’ é enxergar que essa etapa do amadurecimento é completa. Você pode não dar conta mais [e tampouco ter vontade] de ir pra balada de segunda a segunda e qualquer mistura de cachaça pode cair como uma bomba na sua gastrite nervosa. Além disso, provavelmente, terá que cuidar melhor da alimentação e dar um reforço extra na academia, sem contar que suas responsabilidades profissionais exigem cada vez menos noites varadas e olheiras. Mas, em compensação, você se conhece melhor em tudo; seu corpo, sua mente, seus ideais. A mulher ‘balzaquiana’ está pronta para o mundo, para ser feliz e para fazer alguém feliz, com a vantagem de continuar arrasando!
Por isso, minhas pequenas jovens, não tenham medo! Se apegar a complôs sociais antiquados é atraso de vida. Hoje, não vendo e nem troco minha idade. No máximo, boto uma franjinha para ganhar um semblante mais leve e não dispenso meus creminhos para poder chegar aos 40 com carinha de 30.



8 palpites:

Dan disse...

"30 é o novo 20!"
:)

Lívia Komar disse...

Dan, essa é a melhor definição EVER!

Bordunga disse...

Amiga, bem-vinda aos trintão e, pensando bem, não é tão ruim assim, agora somos bazalquianas!

Beijo no coração.

Fabi M. disse...

Eu passei meu aniversário de 30 anos grávida, então não tive muito tempo para pirar com isso. Ainda me assusto quando me perguntam minha idade, mas gosto dela. E como vc mesma disse, me sinto mil vezes mais bonita ( mais segura). Então, quem venham os 40!

Shirley disse...

Estou com 27 anos e outro dia pensei: Nossa! do jeito que o tempo está passando rápido, daqui a pouco serei uma balzaquiana, e que venha os 30 anos, adorei o texto, bjos...

Textos da Cri disse...

kkkk eu tô nessa amiga, fiz aniversário ontem e tava me sentindo bem assim...mas...não troco minha maturidade que tenho hoje por aquela que tinha a dez anos atrás, NÃO MESMO RSSS

ADOREI!

lu trevejo disse...

Melhor que fazer 30, é chegar aos 40.
Acredite.
Principalmente se vc chega lá inteira, completa, repleta de si, repleta de amigos, repleta de amor, de experiência e felicidade.
A verdade, é que não importa a idade. Todas elas tem a sua graça e beleza, desde que estejamos felizes.
Bjos no core

J disse...

Bacana teu tópico. Eu não tinha piração com essa coisa de idade não. Morava em Minas, e lá isso é menos tenso que aqui no Paraná. Moro com um cara um pouco mais novo. Ele tem uma certa paranóia com a coisa da idade. Eu sempre pareci ser bem mais nova. Costumam me atribuir 20 anos, 23 anos. Mas, morando aqui tenho me sentido mais velha, com uma sensação de perda, de tempo passado... Meu companheiro parece ser mais velho que eu... ao menos aos olhos dos outros. É tão engraçado ter vindo pra cá e estar me sentindo mais velha, como se minha época tivesse passado.

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