A nostalgia estranha dos anos 50

{ sexta-feira, 17 de setembro de 2010 }
Não há época mais linda que os anos 50. Há cinco décadas, tudo transmitia romantismo e classe em qualquer assunto, desde moda, filmes, músicas, arquitetura, carros... Ainda pequena já cultivava essa admiração. Um dos motivos dessa paixão é que minha vida sempre foi rodeada por histórias felizes desse período e sinto como se tivesse vivido isso por tabela.

Cinturinha marcada e sapatilha. Qualquer semelhança com os dias de hoje não é mera coincidência.


Meus pais nasceram no final da década de 30 e todo o namoro deles se passou nessa fase maravilhosa, ingênua e romântica, de ir para o cinema e ter hora pra voltar, de dançar a primeira música ao som do The Platters, do homem abrir a porta do carro e saber dançar uma valsa e, da mulher, por mais ‘prafrentex’ [gíria da época, gentem!] que fosse, conseguir manter sua feminilidade. É fascinante também por ser uma era repleta de mudanças em todos os aspectos, já que foi a transição entre o período de guerras e a fase das revoluções de comportamento.
Pra começar, a década foi o marco da alta-costura. As mulheres que viveram nessa fase pós-guerra foram beneficiadas com o que havia de mais luxuoso, tanto em coleções quanto em cosméticos.
Há alguns anos, as mulheres descoladas poderiam julgar a moda cinquentona careta e antiquada. O engraçado é que hoje, ela se tornou um fetiche das garotas antenadas. As propostas atuais, por exemplo, estão cada vez mais direcionadas para a valorização da cintura e da doçura da mulher. O New Look de Christian Dior, que surgiu pra levar mais glamour aos guarda-roupas, foi repaginado em pleno século 21, dando à mulher mais leveza e delicadeza com as saias de cintura alta e os próprios vestidos com saia godê-guarda-chuva.

Tailleur New Look de Dior

Croquis publicados na década de 50

Vestidinhos de nossas vitrines (imagem extraída do futrico.net)


As anáguas engomadas, as meias soquetes, os conjuntinhos de ban-lon, as carteiras de metal menodier [colaboração de mamãe!] e os penteados retrô ficam de fora hoje, of course, mas as sapatilhas ficam mais inseridas do que nunca. Infelizmente, as jóias, símbolos do luxo da década, também devem ser evitadas, já que as épocas são outras e se for fazer a phina com o colar de esmeralda da avó, é bem provável voltar pra casa sem a jugular.
Os carros de hoje em dia ganharam mais economia, design arrojado, mecânica barata, mais segurança, entre uma infinidade de vantagens. Mas, para mim, nada substitui o luxo de um Bel Air conversível azul-calcinha com bancos de couro branco, meu sonho de consumo. Cada detalhe é um obra de arte.

Luxo sobre rodas: Bel-Air 1956


No cinema, a década de 50 é a chamada ‘idade do ouro’. Os clássicos estão aí, para serem saboreados, tanto os hollywoodianos, que fizeram brilhar astros como Gene Kelly, James Dean, Marlon Brando, Audrey Hepburn, Rita Hayworth e lógico, a diva Marilyn Monroe, quanto o nouvelle vague francês.

A Bonequinha de Luxo Audrey, o rebelde Dean e a musa Marilyn


A música era uma mistura do romantismo desenfreado com o rock n´roll, que surgiu logo após o fim da 2ª Guerra Mundial e encantou a tal da 'juventude transviada'. Símbolos internacionais dessa época são influências e referências para artistas nos dias de hoje como Beatles, Elvis, Chuck Berry, Jerry Lee Lewis, Littlle Richard, Sinatra, Peggy Lee. Aqui no Brasil, a Bossa Nova surgiu para ganhar fãs em todo o mundo.


Os garotos de Liverpool: referência mundial
Fala sério! Mesmo analisando os anos dourados com pinceladas rápidas, o fato é que essa década causa uma nostalgia estranha até para quem ainda nem pensava em existir. É ou não é?

3 palpites:

Dan disse...

eu que o diga! to com um topete alá Dean que faz o maior sucesso. ehehehe
bjo e bom fds

Shirley disse...

Ameiii o texto, velhos tempos, com certeza foram belos dias, adoro ver coisas sobre as décadas passadas,bom final de semana, bjocas...

Gabriela Yamada disse...

É a década que eu amo. Recupera uma certa "mulherzinha". Mas a nossa vantagem é que a nossa postura de mulherzinha 2010 não nos deixa parecer alguém a serviço da vida doméstica.
Existe um glamour nesse ar cinquentista que nos faz ser refinadas não só no estilo, mas também nas nossas atitudes.
Talvez essa seja a maior contribuição.

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