Pisando na bola na hora de comunicar

{ segunda-feira, 13 de setembro de 2010 }

“Você me manda a matéria antes de publicar para eu dar uma olhada?”. Foi assim que um entrevistado, o porta-voz de uma empresa gigante e renomada, se despediu de mim, na semana passada. Desta vez eu estava como repórter e pude relembrar, do ponto de vista desse profissional, o quanto uma assessoria de imprensa faz falta no relacionamento com jornalistas.
O cara tá dizendo nas entrelinhas que você não foi capaz de entender tudo aquilo que ele disse prolixamente, mas que você conseguiu compreender perfeitamente, pois filtrou somente o que interessava, afinal, é o seu trabalho. Cadê o assessor de imprensa para ajudá-lo a pontuar os fatos relevantes? Ou para escolher um bom porta-voz da empresa e orientá-lo em como se portar?
Um assessor de imprensa informará ao entrevistado de antemão o foco da entrevista e ele estará preparado com dados consistentes e poderá transmitir ao jornalista o que for pertinente à matéria, sem delongas. E principalmente, informará ao cliente que pedir para ler a matéria ofende o jornalista. Nunca, jamais, em hipótese alguma, deve-se cair nessa asneira.
Trabalhei por muitos anos como repórter de TV, jornal, rádio, revistas, sites especializados, e me deparei algumas vezes com esses pedidos inadequados, situações constrangedoras ou mentiras deslavadas. Já vi empresários em situações de crise fugirem da imprensa ao invés de explicarem [por entrevista ou comunicado, de acordo com a situação] as causas de um acidente dentro de uma fábrica e as providencias tomadas a partir de então, por exemplo, o que demonstraria seriedade e amenizaria o impacto da informação negativa. Transparência no mundo corporativo é o primeiro passo para se conquistar a simpatia da opinião pública, mesmo que assumindo uma falha.
Não é preciso estender o tapete vermelho para receber um jornalista. O respeito será demonstrado com respostas honestas, objetivas e conhecimento da função deste profissional, que não está ali para puxar o saco e nem para denegrir uma imagem. Por isso, no jornalismo [sério], toda história tem dois lados. Cabe ao entrevistado contar o seu com a maior dose de sinceridade possível, apresentando números, revelando foco e conhecimento no assunto, mostrando imagens para facilitar o entendimento no caso de assuntos técnicos. Tudo isso, contando com a presença de uma assessoria de imprensa, que respaldará o cliente em situações imprevistas.
Ao se despedir, um agradecimento basta. É só confiar na verdade; o jornalista costuma ser um bom entendedor.

Quem não se lembra desse caso hilário [e trágico] em que um assessor de imprensa poderia ter mudado o rumo da prosa?

7 palpites:

João Francisco Viégas disse...

Seriam esses os temidos ossos do oficio?

Hehehehehehe

Boa semana!!

Dan disse...

NA verdade quem trabalha com comunicação social sofre muito com isso né Livinha?
Todo mundo acha que pode ser jornalista ou assessor ou publicitário.

fazer o q?
bj

jptrovo disse...

Concordo com o Dan:

'Todo mundo acha que pode ser jornalista ou assessor ou publicitário.
fazer o q?'

=/

Maria Fernanda Ribeiro disse...

Todo mundo acha que é editor de jornal, impressionante. Esses dias, num curso de batismo, o seminarista começou com um papo de que a mídia não deveria dar prioridade para tais e tais matérias e sim para matérias que dissessem isso ou aquilo. Se ele sabe disso tudo, deveria ter virado jornalista e não seminarista, certo?

Lívia Komar disse...

Hahahaha, CORRETO, Maria Fernanda! Aliás, a Igreja sempre adorou meter o bedelho na vida [e na profissão] alheia. Eles querem mandar em tudo, incrível!

Textos da Cri disse...

Jura que o cara me saiu com essa??? E o que vc falou pra ele Lí? Jesuis que ignorante, ele achou o que?? Que vc iria ferrar ele quando publicasse a matéria ou queria achar errinhos de portugues??

Aff....que absurdo!!!Por isso que eu sou a favor da educação nesse país rs

Ps: que coincidência, o filme é minha cara tb rssss

Fabiola Medeiros disse...

Gente...eu sou obrigada a fazer uma parte e explico o motivo.
Este cara deve ter passado pelo MESMÍSSIMO problema que eu passei com o reporter de um jornal aqui de Ribeirão.
O fulano simplesmente colocou palavras na minha boca além de distorcer o que eu disse.
Quem leu a matéria (que graaaaaaaaaaças a Deus não teve taaaaaaaaaaaanta repercusão)ficou com uma idéia de que eu era ...enfim...prefiro não continuar pra não remexer neste bapho!
Na época eu não tinha assessoria de imprensa e achava que este tipo de serviço era exclusivo para grandes empresas, politicos ou Globais.
Mal eu sabia que é um tipo serviço acessível e IMPRESCINDÍVEL para quem trabalha com imagem como eu!

É o melhor investimento que um empresário pode fazer.

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