Em dias de chuva

{ terça-feira, 30 de novembro de 2010 }

Pingos d’água estão escorrendo pela minha janela. O cheiro gostoso de terra invade o ar da minha casa. Podia estar em paz, pensando em mil coisas agradáveis, mas me veio a mente um caso triste que testemunhei. E infelizmente, um caso vivido por centenas de pessoas.
Na época em que era jornalista policial, me chegava a arrepiar até a unha em dias de chuva. Ribeirão Preto vinha passando por fatos isolados de enchentes e nós, repórteres, éramos acionados para ir cobrir a calamidade e presenciar o desespero de famílias que tiveram suas casas inundadas pela água.
Mas nada foi tão traumático quanto a tragédia que acometeu a cidade numa madrugada de fevereiro de 2002, por conta de duas horas de uma forte tempestade. Seis bairros e mais parte do Distrito de Bonfim Paulista ficaram destruídos, desalojando 660 famílias. Me lembro como se fosse hoje o caos que vi, um dos maiores, senão o maior que a cidade já sofreu em se tratando de enchentes.
Equipes de TV de toda a região estavam lá, de calças dobradas até o joelho, capas de chuva e um sentimento de piedade enorme ao ver idosos e crianças serem resgatados por botes do Corpo de Bombeiros. No dia seguinte, a destruição ficou mais iluminada: o que se podia ver eram famílias inteiras sem rumo retirando toda a lama de seus móveis e tentando resgatar algumas fotos, documentos e recordações que foram levados pela água barrenta. Fora, o medo da contaminação de doenças, iminente naquela situação.
Oito anos se passaram e a sensação que temos é que as obras de contenção feitas na cidade serão a salvação milagrosa para as inundações, principalmente na avenida Francisco Junqueira, tão calejada que todos estabelecimentos comerciais contam com uma barreira de aço para impedir a entrada da água do rio. Mas não! Isso é apenas parte de muitas providências. Outras tantas têm que ser tomadas por nós, cidadãos.
Existem questões ambientais e de engenharia, mas uma fatia da população é parte do problema das enchentes. Enquanto o Brasil for habitado por alguns indivíduos acostumados a jogar lixo nas ruas e nos rios [e não serem punidos], não há ação do município ou governo que consiga impedir tragédias como as inundações. Enquanto um povo porco e sem educação joga lixo pra fora da janela do carro, bueiros e galeriais pluviais serão entupidos e muitas famílias que moram próximas aos córregos, ribeirões e rios, infelizmente ainda irão sofrer as consequências da imundície.
Cuidar da nossa cidade é como cuidar de nossa casa. Isso é viver em sociedade. O mesmo sujeito que zela pela higiene e comodidade de sua família é um egoísta sem escrúpulos quando descarta uma garrafa pet em via pública. E jogar o lixo no lugar certo, de preferência separando-o para reciclagem, não é favor, mas sim obrigação em prol da comunidade, da natureza que nos acolhe e das gerações futuras.
Conquistas de uma vida inteira sendo levadas pela correnteza é algo que nunca mais quero ver nem ao vivo, nem pela TV e, muito menos, no meu próprio lar. Agora que já desabafei, me sinto de alma lavada para curtir um pouco mais dessa chuva bem-vinda que vem amenizar o calor de nossa cidade.

É nóis na foto!

{ segunda-feira, 29 de novembro de 2010 }
Esse post é só para parabenizar a fotógrafa [e twitteira] Juliana Rizieri que foi a responsável pelas imagens do Encontro da mulherada no último dia 25/11. Tudo feito com muito carinho e sensibilidade. Um arraso!

Abaixo, algumas fotos minhas que simplesmente AMEI!




Meu Santo Antônio, e olha o tanto de calcinha que teve nesse evento!

Quem quiser saber mais sobre o trabalho da Ju, é só dar uma conferida no blog dela, que é um sonho: www.jurizieri.wordpress.com

Confiança X Desconfiança

{ domingo, 28 de novembro de 2010 }

Ontem, conversando com minha irmã, surgiu o tema 'confiança' nos relacionamentos que nos cercam. Falamos da importância desse sentimento em várias esferas de nossa vida, desde amizade, casamento até o âmbito profissional.
Em quantas oportunidades você já não deixou de confiar em um amigo ou colega de trabalho por um mal-entendido, ou quantas vezes, casamentos não foram desfeitos por bobagens? Só o que nos resta após o erro, é a vergonha e o arrependimento. E, muitas vezes, se há a volta, é como aquele clichê do cálice quebrado.
A desconfiança é uma palavra pesada que deve ser medida em cada pensamento ou pronunciamento nosso. Já dizia o filósofo Lao Tsé que "aquele que não tem confiança nos outros, não lhes pode ganhar a confiança”.
Na vida, passamos por momentos de dúvidas que às vezes nos alfinetam a desistir dessa ou daquela pessoa. Mas o que não podemos nos esquecer é que o ser humano é sujeito a erros. Não apenas aqueles que abrem caminho para uma desconfiança, mas, atenção, principalmente, aqueles que desconfiam cegamente. Pois é.
Penso que o mundo já é um lugar tão inconstante e perigoso para se viver, que se não soubermos nos unir às pessoas e abraçá-las em prol do bem, nossa tendência como aprendizes na Terra é continuar cada vez mais nos metendo num abismo nebuloso. Isso não quer dizer fechar os olhos para o que está passando em nossa frente, ignorar uma deslealdade ou fazer papel de bobo, mas apenas buscar ter a certeza do erro, antes de quebrar um elo importante.
A desconfiança tem de estar cristalina e sem dúvidas no contexto, enquanto a confiança deve estar baseada em muita conversa para que se torne um sentimento cada vez mais recíproco e responsável por irradiar a paz. Que não seja qualquer fofoca, cisma sem fundamento, ou um ‘achômetro’ meio quebrado que consigam estragar relações com promissores futuros.
Os homens ainda têm muito o que evoluir para chegarem nesse patamar de amor mútuo, mesmo porque a vida da gente é cercada de fatos que nos deixam com o pé atrás até de nossas próprias sombras. Mas, porque não tentarmos desde já? Afinal, a regra é clara: todos são inocentes até que se prove o contrário.

Caros amigos virtuais

{ quarta-feira, 24 de novembro de 2010 }


No meu primeiro post do Calma, eu tenho um plano!, disse que o mundo cabia dentro do nosso notebook. É a pura verdade.
É impressionante como a internet pode nos oferecer um leque de vantagens, incluindo as pessoas que conhecemos através dela.
Quem aí nunca teve a curiosidade de saber como é o rosto daquele contato profissional que você troca idéia via email semanalmente? Ou então, segue no Twitter a pessoa, troca idéia direto, conhece seu rosto por uma foto, mas nunca ouviu sua voz?
A internet nos proporciona contatos ilimitados e ela me trouxe muitas coisas boas. Conheci várias amigas via redes sociais. Outro dia, depois de tantos papos no Twitter, pude conhecer pessoalmente a Fabiana Marques. Antes um pouco, depois de altas conversas no MSN, conheci enfim Fabiana Gorayeb, Dani Antunes. Com a Gabi Yamada e Hélia Araújo foi assim também: uma pauta daqui e outra de lá via Messenger e eis que rolou o pessoalmente. Elas e muitos outros queridos e queridas que saíram do mundo virtual para entrarem no meu mundo real.
Enfim, fiz esse post como um brinde ao poder da internet em fazer amigos [e amores] e facilitar os contatos profissionais. Amanhã acontece o 2º Encontro das Twitteiras de Ribeirão e fui uma das convidadas do evento organizado pelas fofas Cris Paulino, Luciana Stábile e Fernanda Marchioretto.
Estou super feliz por fazer parte disso, meninas! E super ansiosa pra conhecer a tchurma que troco twittes diários e também reunir a mulherada que não vejo faz tempo.


Inté lá!

Eles acham mesmo que o mundo é dos NETs

{ sexta-feira, 19 de novembro de 2010 }


Por uma falha na organização de meus boletos, efetuei um pagamento em duplicidade para a NET no dia 15 de outubro. A operação foi feita via internet e imediatamente após perceber o erro, coisa de 1 minuto depois de apertar o botão de ‘ok’ no site do banco, entrei em contato com a Central de Atendimento da empresa solicitando o reembolso da quantia paga erroneamente.
Primeiramente, fui informada de que o valor seria descontado na fatura do dia 25 novembro, o que considerei um absurdo. Pense bem: lá na mercearia da Dona Maria, se você se engana e dá R$ 10 a mais na compra, ela deve te devolver na hora ou deixar para abater de sua conta 40 dias depois?
Enfim, consegui convencer a atendente de que eles deveriam depositar o mais rápido possível os R$ 275,27 referentes aos serviços de telefone, TV e internet empresariais, o que foi acatado muito prontamente. O prazo inicial era de uma semana; eu deveria ligar para saber se o meu pagamento já constava dos registros da empresa. Aquele blábláblá. Liguei e, sendo constatada a duplicidade, a atendente solicitou o número da minha conta informando que dentro de alguns dias o reembolso seria feito.
Não quero estender mais o assunto, mas entre ligações, protocolos, Anatel e suspensão indevida dos serviços, devo ter perdido umas 5 horas da minha vida e ganhado alguns cabelos brancos negociando um direito que é meu. Ontem entrei em contato novamente e eis que a história conseguiu piorar ainda mais. Pasmem que a atendente solicitou meu extrato bancário para que eu provasse que a NET não tinha efetuado o pagamento. Peraí, sou eu que tenho que provar que eles não me pagaram ou eles que têm que mostrar o inverso? Minha privacidade vai ficar exposta de forma arbitrária na NET para que? Será que para ganharem tempo?
Hoje, pouco mais de um mês após o incidente, acessei mais uma vez minha conta e não visualizei nenhuma esperança de reembolso. Como consumidora, me sinto insultada com tanta demora e tantas desculpas e percebo o quanto faz falta um concorrente mais comprometido. Creio que eles conseguiram o que queriam: algo me diz que deverão sugerir o abate do valor na conta de novembro. Estão com o meu dinheiro, não pagarão juros e ainda terei que ouvir de uma atendente com sorriso comercial: “desculpe-nos pelo transtorno, senhora, a NET agradece a sua ligação!”.

Dica de leitura na Revista Expressão

{ terça-feira, 16 de novembro de 2010 }
Agradeço o convite da Revista Expressão e da Fnac. Super beijo pra Fer Marx, Fá Gorayeb, Ângelo Comar e Fernando Rodrigues.
Pra quem ainda não leu "A Casa dos Espíritos", é bom voar pra livraria.

Nossas sobras evolutivas

{ sábado, 13 de novembro de 2010 }

Sexta-feira à noite fiquei em casa e foi a oportunidade perfeita para descansar desbravando os canais de TV à cabo e fuçando despretensiosamente na internet. Caí num texto interessante no site da UOL [e depois verifiquei que está disseminado na rede] que mostra partes do corpo humano que nada mais são do que restolhos, sobras evolutivas mesmo [Oi, Darwin!], e separei alguns que consegui constatar a veracidade em artigos médicos e de História.
O que acontece é que nosso corpo vem se adaptando às novas necessidades e cuidando de extinguir alguns componentes por falta de uso, porém, outros ainda insistem em estar conosco mesmo após milênios. Os dedos do pé, por exemplo: tirando o dedão, que é sabidamente um ponto de equilíbrio, os outros só servem para fazer a gente gastar horrores na manicure e, ocasionalmente, topar em quinas desgovernadas. Pôxa!
Agora, cuidado aí com o que vocês não têm usado muito. Viram o que aconteceu com o rabo?

Dentes do Siso

Já não são necessários para o tipo de alimentos que ingerimos. Hoje em dia, só 5% da população tem um jogo destes terceiros molares sãos [Eles me serviram para entortar todos os outros e para eu ganhar um atestado de uma semana quando arranquei os quatro].



Músculos extrínsecos do pavilhão auricular

São músculos que permitem a algumas pessoas moverem suas orelhas, direcionando-as para uma melhor percepção do som. Só 3% dos humanos ainda conseguem mover estes músculos voluntariamente [Ou seja, só servem pra tornar o dono desse dom a atração das festenhas].

Órgão Vomeronasal (ou de Jacobson)

Um diminuto buraco a cada lado do septo nasal que está unido aos quimiorreceptores não funcionais: é tudo o que resta de nossa outrora grande habilidade para detectar feromônios [Viu?].

Ponto de Darwin (ou tubérculo)

Um pequeno ponto de pele grudada na parte superior de cada orelha que aparece ocasionalmente nos humanos modernos [cerca de 10,4% da população]. Poderia tratar-se de um remanescente de uma formação maior que ajudava ao homem a se centrar nos sons distantes [Alguém aí tem?].




Músculo eriçador dos pelos

Conjunto de fibras musculares lisas que permitem aos animais arrepiar sua pelagem para melhorar sua capacidade de isolamento ou para intimidar outros animais. Os humanos ainda conservam esta habilidade, porém perderam a capacidade de acioná-la de forma voluntária [Eu aciono quando penso numa pochete, por exemplo].

Apêndice
Este estreito tubo muscular unido ao intestino grosso servia como área especial para digerir a celulose quando a dieta dos humanos consistia mais em proteínas vegetais que em animais. Também produz alguns glóbulos brancos. [Eu ainda tenho!]

Pelo corporal

As sobrancelhas evitam que o suor caia nos olhos e a barba masculina poderia ter algum papel na seleção sexual, mas aparentemente, a maior parte do cabelo no corpo humano não tem nenhuma função, por isto tende a desaparecer [Mas nem por isso queremos homens depilados, certo?].



Cóccix
Nossos ancestrais hominídeos perderam o rabo bem antes de começar a andar: o que sobrou é o cóccix, um conjunto de três a cinco vértebras fundidas no fim da coluna dorsal [Que só serve pra doer horrores quando caímos de bunda].

Mamas masculinas
As glândulas lactíferas formam-se antes de que a testosterona provoque a diferenciação do sexo no feto. Os homens têm tecido mamário que pode ser estimulado para produzir leite e inclusive para amamentar... Mas quem já viu nos últimos 20.000 anos algum homem amamentando? [Oi?]


Jornalista, ação! Volume 2

{ segunda-feira, 8 de novembro de 2010 }
Nem só de sapatilha vive uma jornalista.
Sim, já deixei bem claro por aqui que sou uma ex-viciada em salto alto e ultimamente as sapatilhas têm cada vez mais conquistado meu guarda-roupa. A gente anda igual a camelo, corre o dia todo pra lá e pra cá, sai de casa e não sabe a hora que volta; não há calcanhar que resista nem com anabela.
Porém, nem sempre dá para ir num evento de sapato rasteiro. E eu, que sou 8 ou 80, perua-com-orgulho-por-favor, pulo do solado baixo para o sapato meia pata salto 15 em um estalar de dedos. E haja panturrilha!
A foto foi tirada no baile do Dia do Dentista promovido pela Associação Odontológica de Ribeirão Preto (AORP), entidade cliente da Plano A.
O jantar foi chiquérrimo e, mesmo estando a trabalho, a ocasião exigia um pouco de capricho no visual. Sem contar que não custa nada a gente perder algumas horinhas se arrumando porque, na verdade, a gente A-DO-RA!