Tatuagem desgastada

{ domingo, 5 de dezembro de 2010 }
Em algum momento do relacionamento, se Romeu e Julieta não tivessem morrido tragicamente, tenha a certeza de que teriam brigado por ele peidar embaixo do cobertor ou por ela usar o barbeador dele pra depilar a perna. Não existe amor perfeito, beim! O que existe é saber lidar com as situações, o que nem sempre é tão simples.
Tudo bem que viver num relacionamento infeliz por conta de convenções da sociedade é ridículo e ultrapassado, mas, ultimamente, o que observo é um misto de intolerância e volubilidade e a palavra de ordem é: desistir. Qualquer insatisfação momentânea, piração, impulso, uma bunda mais gostosa ou sei-lá-o-quê, tornaram-se motivos pra romper uma história, às vezes de décadas.
Graças à evolução, conquistamos o direito de decidir se aquele casamento ou namoro ainda é interessante para nós. Pode-se buscar um outro cobertor de orelha, ou optar por ficar sozinho. Porém, numa relação, se ainda existe amor, companheirismo e respeito, custa sermos um pouco mais maleáveis com a cultura, criação ou manias inconvenientes de nossos pares para evitarmos briguinhas idiotas? Afinal, todo mundo tem suas esquisitices, né não?
A vida a dois pode ser maravilhosa, mas definitivamente, não é fácil. Chatas implicam porque o cara deixa toda a hora a tampa do vaso erguida depois de fazer xixi. Vai lá e abaixa, pôxa! Ou então o sujeito reclama que a mulher demora muito pra se arrumar. Abre uma cerveja e espera, vai valer a pena! Esses são exemplos de pequenas picuinhas que vão dando no saco e desgastando a vida do casal mais espiritualizado ou adepto do Rivotril. Sério, dá pra gastar saliva quando o assunto for realmente importante?
Apóio a decisão de pessoas de coragem e amor próprio que põem um ponto final numa união que só traz infelicidade, mas também admiro muito aqueles que passam por tempestades e buscam força no fundo da alma para tentar fazer valer a pena um grande amor, mesmo que já meio roto pelo tempo. Cada um sabe onde o calo aperta, então, porque não deixar o sapato um pouquinho mais frouxo e a vida mais leve?
Se a separação for um bálsamo, que se aproveitem os novos prazeres na vida! Porém, depois de um impulso errado, dá-lhe apagar a tatuagem na bunda que jurava amor eterno. O duro é que pode ser que por um bom tempo, ela fique lá, desgastada na pele, mas dolorosamente enraizada e ainda nítida no coração.

8 palpites:

Shirley disse...

Ameiiii esse texto!
Realmente ninguém é perfeito e todos nós temos as nossas manias, cabe a nós termos a tolerância e compreensão de perceber que o outro teve uma criação diferente da nossa.
Se existe amor ainda vale muito a pena lutar, mas quando realmente o fim vem como balsamo, a questão é sacudir a poeira e dar a volta por cima, é claro que a tatuagem pode não só ficar na pele como tb no coração e na alma, mas como diz o ditado com o tempo passa, basta nos amar primeiro e optar sempre por ser feliz, seja sozinho ou acompanhado...bjocas

Thaís Felix de Oliveira disse...

é, relacionamentos definitivamente não são fáceis. Sempre tem os momentos se riscos, e as palavras no estilo blef :/

Mas a vida continua e é isso ai :D

controlandominhamaluquez.blogspot.com

Fernanda Marchioretto disse...

Coincidência ou não, a Cris (Paulino) e eu falamos disso esses dias. Fizemos uma Bodas de Ouro e surgiu o assunto: "será que a nossa geração também fará 50 anos de casados?"
Infelizmente não acredito nisso. Como você mencionou, os relacionamentos estão cada vez mais descartáveis. Desiste-se de uma grande amor por qualquer bobagem. A mulher que aceitar uma pisada de bola de seu homem é recriminada, taxada, enfim. Hoje em dia a pressão da sociedade é de sermos "felizes" acima de tudo ou de todos. E essa pseudo felicidade quase sempre envolve a intolerância e o egoísmo.
Nesse ponto sou careta, como aquela senhorinha que comemorou suas bodas de ouro. Luto e vou até o fim (ou além disso) pra manter um amor real, com discussões, crises e todas as adversidades que podem surgir.
Nesse mundo cada vez mais individualista, encontrar e viver um amor não é fácil. Temos que fazer um esforcinho para manter, ora!
Beijinhos flor, como sempre excelente texto!

Cris Paulino disse...

Nossaa q texto delicioso de ler.Concordo com cada vírgula do que vc escreveu. Acredito que no relacionamento de sucesso é a base da tolerância, eu vejo casais se desmancharem por coisas tão pequenas. Adorei o texto! Beijos!!

*-* Thaís Cavalcante *-* disse...

Com certeza!! Eu mesma, já passei por casa situação em meu relacionamento que resolvi daár uma trégua em meu temperamento e impulsividade, confseso que mesmo ele tendo um gênio dificil...eu tb dei umas pisadas de bola,..a ultima mesmo..nem te conto!!!!!!!!!! rs
Bom, mais é isso...a vida é uma montanha russa, temos que ter sabedoria para lidar com tudo que essa louca vida nos proporciona, inclusive relacionamentos a 2!!! rs
Bjocas flor! Tenha uma semana ótima!

Renata disse...

A vida a dois nos força a praticar a tolerãncia e a paciência. Ela nos impulsiona à evolução. Se toda relação fosse maravilhosa e perfeita, que esforço treríamos? O que cresceríamos? Então, não só entre cônjuges, mas entre filhos, amigos, profissionalmente... tudo que nos remete à convivência, nos faz crescer.

A propósito, essa foto é uma tirandinha, né? hauhuahauhuahuaha

Marília Castelo Branco disse...

Lívia,
Seu texto nos leva à reflexão. Sim, nos tornamos intolerantes nos relacionamentos, mas por quê? Agora aguente o meu lado vovózinha...rs.
Acredito que o vilão dessa história se chama competição. Hoje, a partir do momento em que abrimos os olhos pela manhã sofremos a pressão de ser o melhor em tudo. No trabalho tenho que trabalhar mais e melhor que meu colega senão ele leva meu emprego, aí faço hora extra, aceito atribuições que não são minhas, abro mão de direitos e ainda não posso ser muito competente porque isso gera inveja e pode deixar meus superiores ameaçados e, bilhete azul. Na academia tenho que fazer mais abdominais, mais aparelhos porque se os músculos não estufarem não posso colocar aquele modelito justo, tomara que caia pra arrasar. Tenho que me informar sobre tudo, e me expor porque "quem não é visto não é lembrado".
Depois de um dia de preocupações, de constante tensão, a tampa aberta do vaso sanitário, a calcinha pendurada no box vira mesmo um grande drama.
Pra ser feliz a gente precisa sair do jogo, mas pra isso é preciso muita coragem e terapia. Se você diminui o ritmo de trabalho pra viver mais, curtir o que de fato tem importância vai ser chamado de vagabundo. Se passa a se dedicar mais ao próximo alguém infeliz com a vida que tem vai dizer que você está pensando em fazer marketing pessoal, se trocar a musculação pela caminhada matinal mais light, logo, logo vão dar uma amante pro seu marido.
Hoje, pra ser feliz é preciso não ter medo de ser visto como esquisito e correr o risco de ficar um tempo meio excluído. O que posso dizer é que a paz está em chutar o que dá pro alto e passar um domingão fazendo petiscos pro seu amor enquanto ele assiste futebol, claro dividindo uma cervejinha...rs

Lívia Komar disse...

Marília, obrigada pela visita. Concordo em gênero, número e grau.
Um beijo.

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