Desabafo de uma (não) atleta

{ terça-feira, 6 de dezembro de 2011 }

Mais do que tentar enganar o outro de que você é uma atleta e que adora a vida saudável, é ludibriar a si mesmo.
Uma série de acontecimentos recentes me fizeram acreditar que eu deveria buscar uma atividade física: o pós-trinta, as calças que já não fecham, a descoberta de que temos na família um problema cardíaco hereditário e, lógico, a maldita celulite se proliferando na minha bunda com a mesma velocidade que minha fome aumentou depois que parei de fumar, há pouco mais de um mês.
Não me restou outra coisa senão fazer aquela promessa para mim mesmo que até eu desconfiei que conseguiria levar a sério: entrarei pra academia. Como um malandro cheio de lábia, me joguei um 171 e consegui me enganar com meu charme irresistível.
Pensei: já me diverti na época que eu corria, tive um corpaço quando tinha pique de ginástica, por que não, não é mesmo? Fui lá, me matriculei, dei uma sapeada na programação e, dentre as 358 aulas e técnicas e lutas e o diabo a quatro, a única que não tinha nome estranho e que eu sabia o significado era boxe. Me fiz de especialista no assunto e apontei: é isso.
Fui para casa certa de que tinha feito a escolha certa; detesto maromba e, apesar da aparência de periquito, levo jeito pra umas atividades mais brutas. Separei do maleiro as roupitchas fitness, gastei um rim e meio nos equipamentos necessários, destruí por diversas vezes o esmalte recém-passado e ganhei alguns hematomas pelo corpo e bolhas na sola do pé, bem como o ódio cruel e eterno por tatames.
O engraçado é que até me dava bem na hora de dar porrada, porém, não conseguia de maneira nenhuma coordenar a sequência de golpes e, certa vez, treinando defesa, o reflexo foi mais rápido e acabei tacando um murro no ouvido de uma das meninas, gerando desconforto e me fazendo evaporar de vez das aulas.
Depois de desistir deste malfadado esporte, resolvi fazer localizada. A professora é um barato, super animada e os resultados, realmente, podiam ser medidos muito rápido - se eu frequentasse as aulas regularmente ou fizesses os exercícios corretamente. Porém, cada hora que me olhava no espelho puxando peso, tinha vontade de dar risada me sentindo absolutamente ridícula naquela posição de quem está fazendo força pra ir ao banheiro. E confesso, às vezes que não ria de mim, ria das colegues que empinavam as ancas como se isso fosse a coisa mais natural do planeta Terra.
Enfim, gastei quatro meses do meu rico dinheirinho em academia e dá pra contar as vezes que frequentei aquele antro da boa forma de verdade. Bem humorada, pelo menos, posso afirmar que nunca: a preguiça de conquistar uma vida saudável era tão visível que saía de lá louca pra acender um cigarro ou comer uma pizza inteira sozinha. Isso para não enumerar as desculpas mais bem planejadas para faltar às aulas, que iam desde “já lavei o cabelo de manhã e não quero lavar de novo à noite” até “daqui 45 dias tenho um evento e é melhor trabalhar nele desde já”.
Não me adaptei aos papos, não fiz amigas popozudas de macacão colorido e meia branca até a canela, não queimei gordura, não ganhei bem-estar e tampouco leveza e coordenação. Sendo assim, cancelei essa rotina que não me pertencia e investi numa esteticista que cuidará da minha celulite ao som de Enya. Voltei a sorrir.

O teu riso

{ sexta-feira, 4 de novembro de 2011 }
Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera , amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro
rapaz que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.

Pablo Neruda

Futebol Americano em Ribeirão

{ terça-feira, 11 de outubro de 2011 }
Meu linebacker - Barusco #59


Nunca fui uma expert em esportes e quem me conhece desde o colegial, sabe disso. Um exemplo clássico é que eu sempre era uma das últimas escolhidas em qualquer time que fosse. E quando não sobravam alternativas e eu era obrigada a entrar em campo, tomava xingos constantes por fugir da bola ou jogá-la para qualquer lado menos o correto. Por sorte eu superei esse trauma e hoje sou uma adulta descoordenada, porém, feliz.

Talvez por essa falta de afinidade com redes e bolas, nunca rolou interesse da minha parte em assistir jogo nenhum na TV. Eis que, certa vez, em fevereiro desse ano, recebo um email do gerente de uma empresa que eu presto assessoria de imprensa, falando sobre um time de Futebol Americano aqui em Ribeirão Preto que eu sinceramente desconhecia. Era um daqueles e-mails coletivos, que ele mandava pra toda sua lista, a fim de divulgar o esporte e o time no qual ele é linebacker: os Challengers.

Achei super interessante e me prontifiquei a ajudá-lo na divulgação, disparando o email para minha lista também. Mais pelo inusitado do esporte porque, confesso, nem sabia como era o desenrolar de um jogo em campo, se era legal ou não. Sei que recebi muitos feedbacks positivos de pessoas que, assim como eu, não sabiam que Ribeirão Preto contava com um time do esporte ainda pouco popular no Brasil. Muitos eram fãs do FA e não perdiam a liga na TV. E isso passou.

Resumindo a história, três meses depois eu saía pela primeira vez com o linebacker dos Challengers e acabei virando mais que uma torcedora do time, mas uma admiradora do esporte que só quem conhece, consegue identificar as inúmeras estratégias inteligentes utilizadas em campo para se obter um TouchDown. Prova disso é que eu e meu linebacker não perdemos os jogos desta temporada da NFL, liga de FA dos EUA que está passando na ESPN, tudo isso, regado a um bom vinho e ao nosso prato preferido: pizza.

E só tenho que agradecer ao FA, que de certa forma nos aproximou e, meses depois, serviu de cenário e ensejo para um pedido de casamento emocionante durante uma das disputas.

E amanhã, dia 12, Ribeirão Preto sedia a 5ª rodada do Torneio Touchdown, Campeonato Brasileiro de Futebol Americano, no Centro de Treinamentos do Olé Brasil, a partir das 14h. Os Challengers vão jogar contra o Palmeiras e a torcida ribeirãopretana já promete ser massiva. E eu estarei lá, mais uma vez assistindo de perto esses guerreiros e torcendo para que continuem fazendo bonito. Mas a minha maior admiração vai estar concentrada no linebacker da minha vida, aquele que faço questão de ser cheerleader, torcedora fanática, dentro e fora de campo.

Regras - Para quem não conhece as regras do FA, os Challengers prepararam uma cartilha para que todos possam torcer juntos. O básico é saber que o FA consiste em somar mais pontos dentro de campo, por meio do TouchDown, que é a conquista da área ao fundo do campo adversário com a posse da bola, ganhando seis pontos e o direito de chute ao gol, que vale um extra point ou, dois pontos extras, se os jogadores tentarem, ao invés do pontapé no “Y”, um passe ou uma corrida.

Além disso, se o time se vir numa situação em que não conseguirá fazer o TD, pode optar pelo Field Goal de qualquer parte do campo, tentando três pontos extras. Para que tudo isso ocorra, cada time possui duas equipes, a de defesa e a de ataque. Enquanto um time está atacando com a bola, tentando conquistar as jardas para o TouchDown, a equipe de defesa adversária tem como objetivo impedi-lo, para isso, impondo estratégia, rapidez, visão sistêmica e força física.








*Imagens: Guilherme Bordini e Thamyres Branco




Canal Fnac

{ segunda-feira, 10 de outubro de 2011 }
A Fnac Ribeirão criou um canal super legal no Youtube onde passou a postar todos os seus eventos, que aliás, são sempre pra lá de bacanas, culturais, musicais, etc. e tal. Um deles, do qual tive o IMENSO prazer em participar, foi o Social Web Day, organizado pela Rebellion, que já falei por aqui em outros posts.
Agora, uns trechinhos dessa semana que movimentou jornalistas, publicitários e comunicadores em geral de Ribeirão Preto e região:



E, queridos e queridas, anotem na agenda:
Dia 26 de outubro (data alterada), Edmar Bulla, responsável pelo Blog Sulfúrico e fundador da CROMA Marketing Digital, falará no SWD sobre como fazer as mudanças digitais acontecerem na prática. Inscrições, aqui.



Manual de boas maneiras no coletivo

{ terça-feira, 4 de outubro de 2011 }


Segunda-feira fiz mais uma de minhas viagens a trabalho para São Paulo e o veículo escolhido desta vez foi o famoso busão. Com a experiência de nove horas completas dentro do ônibus em um único dia, somando ida e volta, e a falta de tolerância provocada ontem, ainda à flor da pele, adquiri o direito de criar o manual de bons costumes para trajetos em coletivos. Devo ressaltar que fiz isso principalmente para preservar as artérias do meu coraçãozinho, que anda dando sinais de piripaque iminente em situações aflitivas.


Leia com atenção.


- Se você ronca, mantenha-se acordado, em nome da sua dignidade e do seu bem-estar espiritual, já que o restante do ônibus vai te rogar praga o percurso inteiro e nunca se sabe o que um quebranto coletivo poderá te causar.



- Som alto, só com fones de ouvido. Ninguém quer saber do seu gosto musical, seja ele por Tom Jobim, Luan Santana ou o funk que te manda arrancar a calcinha.



- Em hipótese alguma, adentre o coletivo com salgadinhos de saquinho com cheiro de pé.



- Jamais leve biscoito de polvilho. Não tem cheiro de chulé, mas barulho de mastigação é bastante inconveniente.




- Se estiver com tosse, vá ao médico e não viajar.



- Se for viajar com criança pequena, leve mamadeira, chupeta ou qualquer coisa que a silencie durante o trajeto, principalmente durante a noite.



- Se estiver resfriado, cuide para que o lenço de papel com coriza não saia voando no ônibus. Leve sempre um saco plástico para guardar objetos que contenham secreções.



- Não tire o sapato, a não ser que tenha certeza que o Lysol esteja em dia.



- Evite feijão e couve-flor um dia antes. O resultado no balançar da estrada pode ser desastroso - principalmente para os outros passageiros que não sofrem de gases e também não têm o esfíncter solto.



- Leve uma blusa de frio como se estivesse embarcando para a Rússia, sem vergonha, mesmo que lá fora faça um calor de 43º. Eu tenho cer-te-za que o pessoal das empresas faz apostas sobre qual veículo vai deixar mais pessoas com pneumonia.



- Não passe o trajeto inteiro paquerando a mina no celular em voz alta. As pessoas querem dormir. Porém, se for inevitável, ligue o aparelho no viva-voz, assim, todos poderão interagir.




Com essas dicas preciosas, a viagem ficará mais suportável para todos. Porém, se tiver grana na conta bancária e quiser preservar sua paciência, vá de carro. Ou de avião.

Social Web Day na Fnac

{ domingo, 2 de outubro de 2011 }



No último dia 22 de setembro, fui uma das convidadas, juntamente com Fran Micheli e Analídia Ferri, a falar um pouco sobre o universo dos blogs em Ribeirão Preto num bate-papo super gostoso que aconteceu na Fnac. Nem preciso dizer que me senti mega honrada e que esse foi um momento super especial para o Calma!. O evento, promovido pela Rebellion, foi um sucesso de público, trazendo durante toda a semana cases de sucesso nacional, como Eme Viegas /Jaque Barbosa (Casal sem Vergonha) e Bia Granja (Youpix).


E, aguardem! Apesar de ser um projeto consolidado e já admirado por quem atua nesse segmento, os encontros estão sendo somente o início de um trabalho super importante para o aprimoramento das ações envolvendo as mídias sociais na região. Dia 20 de Outubro, tem mais! Nomes super bacanas farão parte desse evento que já está se tornando referência por aqui.


Anotem na agenda.




Aquela Maria

{ quarta-feira, 28 de setembro de 2011 }


Dona Maria tem 93 anos. Seus pezinhos, que já dançaram muito nos salões da terceira idade, encontram-se cansados. No peito, um marcapasso. Na cama do hospital, chora as madrugadas silenciosas. Grita de uma dor que não sabemos mais se é física.
Assim que ficou viúva, a velha de descendência indígena botou a tristeza de lado e foi viver a melhor idade, como os idosos conformados com as marcas do tempo costumam dizer. Como uma adolescente rebelde, sumia de casa e não dava notícias para a família por dias e dias. Era dona do nariz.
Arrumou namorado. E colecionou infartos. No último deles, caiu no salão, enquanto dançava ao som de Lupicínio Rodrigues. Deslizou ao chão com maestria e acordou numa ambulância a caminho do hospital, ainda com os brincos coloridos e pendurados na orelha grande e enrugada.
Recuperou-se na marra; tinha viagem marcada no mês seguinte com os amigos das jogatinas de buraco. Viajou uma viagem longa e cansativa, de ônibus, ainda com as marcas do cateterismo e com os exames falsos de pressão de uma amiga que vendia saúde, só para burlar o esquema, caso fosse barrada do passeio.
E hoje está lá, deitada, afundada num colchão com lençóis listrados. Com poucos minutos de lucidez por dia, chora e sorri como se suas sensações fossem baseadas apenas nos acontecimentos passados. O restante do tempo, vive em seu mundo atual, vazio, triste e debilitado. Como que assistindo suas nove décadas numa tela, olha para o alto por quase todo o tempo, um teto mofado que guarda histórias que vão muito além das questões de saúde tratadas naquele lugar.
E eu sei pouco dela. Mas também, sinto que ela mesmo abriga seus causos tão bem guardados num canto da memória embaçado pelo tempo que mal consegue se lembrar deles.

Coração de mãe

{ quinta-feira, 22 de setembro de 2011 }


Segunda-feira meu coração chorou, ficou partido, dolorido, ao mesmo tempo que o coração da minha mãe dava sinais de que havia algo errado. Dizem – e eu tenho certeza – que coração de mãe é o maior do mundo e quando ele se machuca, o nosso se fere junto.
Guerreira, dona Cidoca está conseguindo vencer bravamente o problema. No hospital, brinca, sorri e até finge descaradamente não ter medo de algum exame pra continuar exalando sua força interior característica das mulheres de fibra, que já passaram por poucas e boas nessa vida.
Mas meu coração ainda sofre ao vê-la longe, sem ninguém das inúmeras pessoas que a amam sendo autorizadas a estarem por perto. Meu coração se entristece ao ver minha querida, que raramente pega sequer um resfriado, tendo o seu coração observado 24 horas por dia num hospital. Meu coração acorda assustado de madrugada quando pensa nela. Meu coração mentaliza as batidas do seu coração, pedindo, quase obrigando, na verdade, que ele pulse direitinho. Coisa de filha apaixonada.
Mas meu coração se abranda, todo esperançoso, ao vê-la nos horários de visita. E a força que eu tento passar naquele “tá tudo bem e vai ficar ainda melhor” fica pequena diante da força que ela passa pra mim, apenas com suas gargalhadas sobre seus sonhos esquisitos que demonstram que sim, “tá tudo bem mesmo e vai ficar ainda melhor”. E eu olho para ela e rezo, grata a Deus pela benção de tê-la em minha vida, com seu coração se recuperando, melhorando a cada dia e recebendo elogios dos médicos, o que enche meu coração de orgulho.
Meu coração ainda está angustiado, mas agradecido. Ele agradece a Deus por ter preservado essa riqueza de amor infinito na minha vida; ele agradece aos amigos e amigas, verdadeiros irmãos, que se mobilizaram naquela segunda-feira para que o coração de minha mãe pudesse receber o melhor atendimento possível.
Ele agradece às ligações, às mensagens de amigos, de parentes próximos e distantes, de amigos de amigos. A preocupação sincera e a solidariedade de quem se põe à disposição, de quem me dá carona quando não estou legal pra dirigir, de quem me traz comida em casa e me força a comer. De quem aceita ligações tarde da noite para conversar. De quem liga antes das 8h da manhã querendo saber notícias. De quem liga no hospital para saber novidades dela só para me tranquilizar. De quem me acompanha até o hospital e segura na minha mão.
Agradece as orações de quem a conhece e também de quem não a conhece, mas sabe a importância de uma mãe na vida de uma pessoa. Ele agradece pela minha família linda e unida e por eu ter um noivo maravilhoso, meu anjo, meu porto seguro, que me ampara e arranca sorrisos da forma mais doce do mundo, até nas horas difíceis.
Apesar de estar aqui grudado no meu peito, acreditem, meu coração esses dias, mais do que nunca, está lá naquele hospital com ela. E também ficará ao lado do seu coração até o resto de nossas vidas – que sei, tenho certeza, demorará muito para chegar.

Imagem: daqui


Bicho-Homem

{ quinta-feira, 8 de setembro de 2011 }
Seria tão mais sublime admirarmos sua beleza, cobiçarmos seu vigor, nos inspirarmos em sua coragem, porém, muitas vezes, preferimos nos igualar à sua irracionalidade. Pena.


















Obra da fotógrafa norte-americana Lennette Newell

Este Calma! no Social Web Day da Fnac

{ terça-feira, 6 de setembro de 2011 }
De 19 a 23 de setembro a Rebellion e a Fnac Ribeirão promovem o Social Web Day, uma iniciativa bacanérrima para discutir e gerar idéias sobre social media.
A programação está show de bola, com palestras de profissionais que todos nós, apaixonados por esse universo, admiramos (veja programação abaixo).
E em meio a tantos nomes dignos de reverência, este Calma! foi convidado a fazer parte do evento. No dia 22, quinta-feira, eu, Fran Micheli (do brogão que eu tiro o chapéu, a tiara e a presilha de florzinha, Mãe Já Acabei) e Analídia Ferri (do Varal Diverso, que terei o prazer de conhecer pessoalmente) falaremos sobre o mundo dos blogs.

Adorei o convite e espero todo mundo lá!

Inscrições: http://www.facebook.com/socialwebday



Quem vai perder?

Ideia para rodeio

{ terça-feira, 30 de agosto de 2011 }

Daí que esses dias rolou uma discussão numa rede social sobre o Rodeio de Barretos. Nada contra a festa em si, que tem seus valores, movimenta o turismo, recebe artistas consagrados e é um entretenimento conhecido nacionalmente, mas, particularmente, o evento não me atrai, já que não sou lá muito adepta de música sertaneja e chapéu deixa meu cabelo ensebado além de me dar coceira no couro cabeludo. Pra mim, o único fator condenável é saber que tem bicho ali dentro preparado para sofrer, e nem sempre se trata da lenda das meninas bonitas laçadas à corda.
A discussão foi a seguinte: pessoas manifestam seu repúdio pelo maltrato aos animais na arena. Muitas pessoas, inúmeras. Foi lembrada a morte recente do bezerrinho que, perseguido e depois atado com força numa prova onde é laçado diante de milhares de pessoas, fraturou a coluna e teve que ser sacrificado. Outros, revoltados, lembraram o simples fato das partes baixas dos touros serem amarradas com sedenhos, fazendo com que eles sintam um incômodo tremendo e comecem a pular desesperados de dor com um peão por cima.
Aí, num dos fóruns, um senhor, com sua liberdade de expressão, respeitemos, deu um banho de água fria nos protestos e defendeu a diversão, informando tratar-se de um absurdo tamanha preocupação de quem não entende nada de rodeio, ressaltando que o animal sofre realmente, mas SOMENTE por oito segundinhos. Juro. Não cabe dar nome aos bois, mas faremos aqui desse parecer a voz geral de quem concorda especificamente com qualquer amargura - mesmo que passageira - dos bichos para diversão dos homens.
Não entendo nada de rodeio mesmo, nem de rinhas clandestinas de galo e de cães, mas aprovo que existam leis severas contra todos os tipos de crueldade com animais, porém, algumas, por serem consideradas ‘cultura popular’, como as touradas sanguinárias espanholas, por exemplo, infelizmente caem no redemoinho já batido do ‘lavar as mãos’.
Mas já que o sofrimento é SOMENTE de oito segundos, porque não diversificamos um pouquinho essa farra e fazemos o inverso? Amarramos os bagos de um ser humano – que diferentemente do boi, pode ser voluntário, vai! – e botamos o touro em cima? Sim, porque se o peão cai e se machuca, é lamentável, mas ele, como ser pensante, optou por estar ali, bem como um paraquedista que está ciente de que corre o risco de se esborrachar em queda livre ou um lutador que amolece os incisivos centrais superiores num nocaute. A vida é deles e ninguém tem nada com isso. Agora, aposto que se o touro tivesse escolha, preferiria estar do lado de fora da arena.


Ah, faça-me o favor.

Meu pedido de casamento

{ terça-feira, 26 de julho de 2011 }
Quando fui acordada no sábado, com um café gostoso e carinhos do meu até então namorado, não imaginava que teria o dia mais especial e surpreendente da minha vida.


Trabalhei até as 13h e corri feito louca pra me encontrar com a carreata de amigos que me aguardava na saída de Ribeirão. O destino, Tambaú, onde o Gustavo jogaria pelos Challengers, time de futebol americano aqui da cidade, que disputa o Campeonato Brasileiro pelo Torneio TouchDown.


Chegamos a tempo e nos misturamos à torcida, que estava lotada e linda como sempre. É uma energia absurda ver a galera vibrar em cada passe, em cada jarda alcançada, em cada tackle da defesa. Mas, para mim, o TouchDown mais bonito, sem dúvida, aconteceu durante o intervalo, com direito a um extra point lindo e decisivo.

Posto aqui o vídeo do meu pedido de casamento que virou notícia de tão fofo, de tão emocionante. E, para mim, esse momento ímpar ficará congelado para sempre na memória, com cada detalhe, cada palavra e cada toque vivos pra sempre no coração.



E, mais uma vez, o meu loiro fez de tudo para tornar mais um momento nosso inesquecível, histórico, que será contado geração após geração, em nome do amor que sentimos um pelo outro.

Agora, me diz! Que mulher nesse mundo não sonha com uma loucura de amor como essa, do fundo da alma e diante de tantas testemunhas? Que mulher não se sentiria a mais especial do planeta? O engraçado é que ao lado do Gustavo, nesses quase três meses, eu consigo experimentar isso desde nosso primeiro beijo, em cada palavra sua no meu ouvido, em cada abraço de saudade por termos passado apenas algumas horas separados, em cada toque, em cada risada, em cada olhar que trocamos.


Obrigada, meu noivo. Te amo tanto, mas tanto, que se torna impossível medir, descrever ou narrar. Você é o amor da minha vida. Obrigada por estar na minha vida e me fazer feliz todos os dias, todas as horas, todos os minutos. Tudo o que eu quero é te fazer feliz também e ver nos seus olhos a alegria que você sente hoje, pra sempre.


E lógico, obrigada também aos amigos que assistiram nossa história de filme e vibraram, se emocionaram e sorriram conosco ao vivo: sogrinha, Mara, Luciano, Victor, Dessinha, Elis, sobrinhe Thamy, Letícia, Luiz Fernando, minha princesa-filhota Duda, família querida Challengers, jogadores, esposas, namoradas, Babi e toda torcida maravilhosa e também a equipe ABC Corsários. Vocês ajudaram a fazer dessa surpresa um momento que será eterno.


Um ano

{ terça-feira, 12 de julho de 2011 }


Um ano se passou desde que criei este blog romântico e cheio de desabafos com palavrões cabeludos (sim, porque todo mundo tem o direito de usar meia-pata rosa, sonhar acordada e, ao mesmo tempo, mandar tomar no cu quando se topa com o dedinho na quina do criado-mudo). O bacana é que ele, que nasceu sem pretensões de se tornar lido por tanta gente, acabou ganhando aí um destaque que não imaginava e o reconhecimento de um trabalho, lógico, é legal pra caramba.
Contando com um currículo vasto em gafes e tropeços, meu objetivo foi compartilhar as aventuras e desventuras da vida, como, por exemplo, num dos primeiros jantares com a família do namorado, mês passado, apoiar o braço na borda do prato e fazê-lo voar cheio de pizza no meu colo, engordurando minha blusa e as primeiras impressões sobre minha pessoa. Vamos combinar que é bem menos sofrível participar das risadas do que apenas ser motivo delas.
E aí que quando delimitamos uma data para comemorarmos, seja ela qual for, é impossível deixarmos de fazer um paralelo sobre as transformações que ocorreram nesse espaço de tempo. No meu caso, esses 12 meses foram tão valiosos que merecem, no mínimo, um curta-metragem naquele filminho sobre nossa vida que passa quando estamos indo pro saco.
Novos e importantes amigos amados para compartilhar a jornada junto com os antigos, novos ideais onde o único alvo é a felicidade, novos desafios no trabalho para tornar a vida ainda mais gostosa. Novos lugares visitados, novas músicas dançadas, nova culinária saboreada, novos mares navegados...
Em 12 meses, muita coisa mudou, como muda todo o tempo. Portas se fecharam, mas outras maiores e que levavam a um destino muito mais bonito se abriram, me arremessando com um empurrão pra dentro como que me mostrando que existe uma força maior nos protegendo em cada ato. É só confiar.
Chorei, ri. Chorei de rir. Repiquei o cabelo, aprendi a gostar de futebol americano, fiz meu primeiro cruzeiro, ganhei um fungar excêntrico ao dar muita risada, me apeguei em mojitos cubanos, descobri que o amor existe e ele é bonito porque traz serenidade e frio na barriga ao mesmo tempo. E muitas águas ainda vão rolar... Calma, eu conto em breve (hoho)!
Em um ano, este Calma! que engatinha na blogosfera, atraiu leitores que se identificam com minhas histórias porque a vida da gente é assim mesmo: um misto de contentamento, tristeza, entusiasmo, monotonia, trabalho, fatos divertidos e outros desastrosos, desabafos, erros e acertos. E o barco tem que ser tocado com sorrisos, sabendo que se ontem foi um lixo, hoje, quem sabe, o dia pode vir a ser o mais especial da nossa caminhada.


Obrigada, queridos! Vamo que vamo!

Dia dos Namorados

{ domingo, 12 de junho de 2011 }
Sininhos tocando, musiquinhas by Enya acompanhadas de harpas. Pés flutuando. Sonhar acordado. Toda essa baboseira que todo mundo dá risada, mas que cada um, sem exceção, já sentiu ao estar gostando de alguém.
Para alguns, a sensação causa um certo desespero pelo descontrole das emoções. Para outros, saber aproveitar esse clima passional é como um piquenique só de guloseimas, onde se degusta tudo com pressa e vontade, sem pensar na dieta.
Aí bate aquela vontade dela dar um telefonema só pra contar que pintou as unhas de vermelho. Ou que estava passando um jogo que ele gostaria de ver. Ele pensa em ligar só pra ouvir a voz dela, mesmo sem ter nada de especial pra dizer. E rola a vontade de estar perto, como se cada segundo que se passa longe é uma eternidade, como o tempo em que estiveram separados, ainda desconhecidos um do outro por alguma armadilha sem-vergonha da vida.
E todas aquelas promessas que ela fez de tão cedo não se envolver porque a vida de solteira estava divertida e mais fácil de encarar e que ele jurou de pé junto não viver mais um lance a dois porque definitivamente não valia a pena, se perdem num redemoinho meloso. E os suspiros são motivos de piadas dos amigos, que no fundo, também se deliciam com cada beijo inesperado em público, com cada olhar apaixonado...
E, de repente, aquelas semanas se transformam numa sequência de acontecimentos que parece ser de anos, até décadas. E as histórias de cada um se cruzam, se imitam, se completam; eles se descobrem parecidos. Gostam das mesmas coisas. Se divertem juntos, se apóiam. E ela tem a certeza de que não é efêmero quando ouve, bem baixinho, que estar amando é sentir uma tranquilidade quente e gostosa dentro do peito. Talvez porque esteja sentindo exatamente a mesma coisa.

Da série: De quando eu era criança II

{ domingo, 22 de maio de 2011 }
O Doce de Banana

Quero deixar claro que minha fama de 'perna oca' por comer muito e não engordar é bastante recente. Em pequena, eu era um nojo e não gostava de nada. Por isso, minha mãe sempre achava que eu devia ser contemplada com os melhores pedaços dos doces, ou, até mesmo, com os únicos, afinal, saco vazio não para em pé.
Numa noite, quando eu tinha uns dois ou três anos, ela fez doce de banana pra eu experimentar e meus irmãos, jantando ao meu lado, previram que não ganhariam nem uma colherada.
Pês da vida, maquinaram a vingança, sussurrando em meu ouvido para que minha mãe não ouvisse:

- Lívia, isso é doce de cocô, vai querer mesmo? – Perguntou cinicamente minha irmã.

Eu, com náuseas, disse que não, claro. A gente é criança, mas não é besta.

- Mãe, ela não quer.

- Criança antipática. Divide entre vocês dois então.

Muitos anos se passaram até eu finalmente aceitar provar aquele doce que, até então, era feito de algo não muito apetitoso.


Dez anos sem você

{ quinta-feira, 19 de maio de 2011 }
Quando eu nasci ele tinha 15 anos. Era um menino doce e brincalhão, a alegria das reuniões de família. Se emocionou e chegou a chorar de felicidade quando soube que naquele 25 de março de 1980 ganhara uma irmãzinha, a quarta filha da trupe e a caçulinha do quarteto.
Aos três anos sofri o primeiro baque da minha vida. Meu Dado, o Paulo, sofreu um grave acidente de moto e quem diz que criança não percebe as coisas, não sabe de nada. Lembro muito bem dos 40 dias no hospital, dos 40 dias sem ele em casa, dos 40 dias em que minha família me preparou para o que eu veria quando ele voltasse pra gente. Lembro de nunca ter ido tanto na Cidade da Criança com minha irmã, que me compensava com passeios pois não queria que eu sofresse o que o resto da família estava sofrendo – mas eu sabia muito bem que tinha alguma coisa muito errada naquilo tudo, desde a noite do acidente. Lembro do meu irmão sorridente, de cabeça enfaixada, jogando pela janela lá do alto a ponteira de alguma cadeira do hospital pra eu guardar, porque eu tinha mandado um bichinho meu pra fazer companhia a ele, e ele queria me dar algo em troca.
No dia de seu retorno, fui recebê-lo na porta, mas não foi o fato dele estar sem a mão que me afetou. Assim que o vi subir as escadas, me escondi embaixo da mesa com medo de sua careca. Ele botou um boné e continuamos a vida, sem grandes impactos. Pude então abraçá-lo, cheia de saudade do meu irmão.
E, o que surpreende é que, mesmo após o acidente, sua alegria de viver também não foi afetada. Fez muitas palhaçadas com o fato de não ter mais a mão. Nunca o vi resmungar. Reaprendeu a viver rápido com a mutilação – era canhoto, perdeu a mão esquerda e o polegar da direita, um herói. Deu muita risada com os olhares incrédulos de crianças que ao perceberem a prótese, perguntavam se sua mão era de boneco. E ele respondia que sim, sempre com seu sorriso malaco, o mais lindo e espontâneo que conheci. Continuou um gato e vaidoso e sempre chamou a atenção da mulherada.
Meu irmão foi o que mais deixou minha mãe louca. Com poucos meses, descobriu que era fácil sair do berço dando uma cambalhota e se atirando de cabeça no chão, ao contrário do gêmeo, que apenas observava tudo e dava risada. Atravessou janela de vidro, subiu no telhado com quatro anos, caiu da porta do ônibus em movimento. Com dois anos, respondeu à rainha das carolas da igreja que seu nome era Paulo Bunda, já que ela não conseguiu entender depois de várias tentativas que era Paulo Roberto. Sempre precoce em dar trabalho, aos 19 anos engravidou a namorada, pouco mais de um ano depois do acidente. Com 20 anos estava casado, com uma filha. Depois vieram mais dois meninos e suas crias eram suas paixões na vida.
Na noite de sábado de 19 de maio de 2001, fazia frio e eu estava de plantão, acompanhando um acidente numa estrada e pensando o quanto a família daquela vítima iria sofrer quando soubesse de sua morte. Mal sabia eu que talvez naquele mesmo instante, eu também estava perdendo uma pessoa amada.
E, mais uma vez, ele foi precoce; infelizmente sua missão estava cumprida por aqui. O Paulo sofreu um infarto fulminante, sem explicações, com 36 anos. Nunca vou esquecer a sensação de vazio que senti naquela noite, quando recebi a ligação para largar tudo e voltar pra casa. Tudo isso, misturado à vontade de ser forte para apoiar meus pais. Eu sabia que o Paulo continuava vivo, porém em um plano tão distante de nós que já imaginava que a saudade não teria fim.
Hoje, faz 10 anos que ele foi embora. Além de seus filhos, deixou com a gente suas histórias hilárias, sua força descomunal em continuar lutando mesmo com as cacetadas da vida, seu caráter inabalável, sua alegria que nunca deixou de transparecer em suas gargalhadas gostosas. Ele foi um exemplo de determinação e superação e quando me lembro do ‘Paulão, o Irmão’, não sinto mais a mesma dor de quando ele se foi. O tempo ensina e do Paulo me restou uma saudade imensa e um orgulho sem tamanho de lá no Alto, terem me dado a oportunidade de ser sua irmã nessa vida.



[Paulo, aquele dia que voei de balão, sabe? Estava com você no pensamento e no coração, realizando seu sonho...]

Essa coisa chamada inspiração

{ quarta-feira, 18 de maio de 2011 }
Penso na inspiração dos poetas com suas musas, amores, boemias. Quando tudo está bom, surge algo lindo a ser desfrutado e invejado. A dor de cotovelo também pode ser proveitosa nas artes. Amores mal resolvidos, abandonos, desilusões e corneadas homéricas dignas de serem relatadas à La Elis Regina atrás da porta. Tudo isso rende bons assuntos, até porque todo mundo se identifica com as dores e alegrias deste sentimento intrometido e filho da mãe de bom chamado paixão.
Tudo pode ser tema. Do cotidiano mais comum de Chico Buarque ao dia-a-dia pecador de Nelson Rodrigues. A melancolia, por sua vez, também acaba sendo assunto de importantes ensaios. Para mim, a mais forte representante da categoria é o testemunho atormentado de Augusto dos Anjos de que o beijo é a véspera do escarro e a mão que afaga é a mesma que apedreja.
O negócio é que a vida de todos inspira grandes histórias. Porém, essa inspiração pode ser contraditória; enquanto alguns escritores se aproveitam de momentos de pico de excitação e alegria, outros podem se dar ao direito de momentaneamente apenas pisar nas nuvens.
Só digo que estou mergulhada em um tonel de coisas muito inspiradoras, porém, sem coordenação mental ainda para respingá-las... Garanto que em breve e assim que a "Eureka" me permitir, voltarei com muitos planos e prometo que terminarei um post com bem mais criatividade e menos prolixidade do que esse.

Gestação de idéias

{ sexta-feira, 13 de maio de 2011 }
Em estado de espera.



Poesia de Deus

{ quinta-feira, 28 de abril de 2011 }


Mesmo quando sua semana foi corrida, estressante. Mesmo quando seu universo está parecendo a Faixa de Gaza, com uma bomba atrás da outra. Mesmo quando você cai de paraquedas em histórias malucas. Mesmo quando você tem que se equilibrar na corda bamba para não magoar pessoas. Mesmo assim, Deus te sorri num fim de tarde e mostra como a vida é maravilhosa de ser vivida...


Enfim, seja bem-vindo Outono, com seu céu cor-de-rosa que alegrou minha quinta-feira.

Da nova série: De quando eu era criança

{ domingo, 24 de abril de 2011 }
Reunir a família é aquele momento gostoso em que surgem coisas engraçadas de um passado que ficou na memória e no coração. No almoço de Páscoa, demos boas risadas da inocência da época de quando éramos crianças, principalmente eu, a caçula, que fui tão mimada pelos meus irmãos quanto fui provocada por eles também.
Diante de tantos fatos publicáveis, resolvi criar a série "De quando eu era criança" para dividir aqui no brog algumas situações que, tenho certeza, muita gente se identificará.

Palavras terminadas com "u"

Meu irmão Sérgio, 15 anos mais velho que eu, era o meu 'Dadinho'. Cuidava de mim, me levava pra passear, mas sempre teve um humor não muito agradável para crianças. E dentre as várias provocações pra me irritar, ele me ensinou a odiar palavras terminadas com "u".
Um dia, quando eu tinha uns quatro anos, família reunida na sala assistindo Fantástico, o mano olhou pra mim, o mais cínico possível, de forma que meus pais não pudessem ver, e mandou bem baixinho:

- Itu, Jau, Bauru, sagu, angu, Botucatu.

Comecei a chorar e a gritar de raiva e, como ninguém estava vendo as palhaçadas dele, já que era um especialista com currículo vasto em me deixar irada sem que ninguém percebesse, me puseram de castigo para refletir que era feio acusar os outros de algo que não tinham feito.
Eu, sentadinha na ponta da mesa da sala, chorando baixinho sob os olhares provocativos do Sérgio, quando, de repente, o apresentador solta na chamada da matéria:

- Caruaru!

Foi uma gritaria incontrolável e, para meus pais, lógico, totalmente desproposital.

Tomei uma bronca homérica. E até hoje, odeio palavras terminadas com "u".

Não entendo

{ sexta-feira, 22 de abril de 2011 }
Devo confessar que algumas coisas simplesmente não entram na minha cabeça. Tipo: impedimento. Eu de-tes-to futebol do fundo do meu âmago e meu pai, irmãos, sobrinhos e até o cachorro, todos parmeirenses roxos e fanáticos desde Campeonatos de jogo de botão até a Copa do Mundo, já tentaram me explicar uma infinidade de vezes como essa porcaria de regra maldita funciona, mas eu disperso e vou lá assistir The Big Bang Theory.
Outra coisa totalmente bloqueada pelos meus neurônios e pela coordenação motora é a tal da trança embutida. Penso que somente uma mulher muito evoluída pode conseguir fazer aquilo sozinha e ela merece meu respeito.
Análise sintática é algo que qualquer especialista em Língua Portuguesa tem que saber. Eu, como jornalista, deveria. Mas verbo transitivo direto, indireto, a puta-que-o-pariu que não aprendi nas aulas maçantes da escola, também não carreguei pra minha vida profissional. Dá-lhe obras de Gramática na hora do aperto. E mágoas eternas em cima de nossa colonização que nos deu de presente um idioma complicado pra caramba.
Entender mapas de rua, a cabeça do bofe, tocar violão, cuidar de plantas, fazer contas de dividir, pilotar moto e dançar tango. Um dia, quem sabe, cai um meteoro perto de mim e algo se revolucione num passe de mágica, como nos filmes. Aí, pode ser que aquele lado inerte e idiota do meu cérebro sirva pra alguma coisa. Tocar berimbau, por exemplo, seria bem bacana.

O [des]gosto de uma viagem

{ quarta-feira, 20 de abril de 2011 }

Feriado chegando e muita gente está aí, matutando o que fazer pra sumir da rotina. Expert em viagens tenebrosas, dou aqui mais duas dicas do que não fazer [acreditem, em um só passeio]:

Viajar de ônibus quando o trajeto dura próximo de 24 horas.

Aventura é aventura, então arrisquei em 2006 a fazer uma viagem de Ribeirão Preto para Cuiabá num ônibus capenga, onde a única coisa que funcionava super bem era o ar-condicionado. Passei um frio glacial e, para melhorar ainda mais a jornada, o maldito resolveu gotejar água gelada na minha cabeça – só na minha. Dormi encolhida e acordei praticamente no colo do passageiro ao lado que, digamos, ficou bastante surpreso. Fora esse incidente bastante constrangedor, o pardieiro ambulante quebrou duas vezes, teve um pneu furado, fedia Cheetos Requeijão e parecia transportar uma creche que vivia para chorar sob os olhares de entreguei-pra-Deus-vocês-todos-que-se-danem das mães.

Viajar de carro quando o trajeto dura próximo de 24 horas

Seguindo o clima de emoção, a volta de Cuiabá foi de carro. Eu, meu cunhado, minha irmã, cinco malas, um gato vira-lata e três persas. Para apimentar a história, devo ressaltar que sou alérgica a felinos e voltei com pereba no corpo todo e o olho mais vermelho do que o da Janis Joplin no Woodstock. Dirigindo na estrada de Goiás, me enchi dos buracos e dos cones de desvio e passei o carro para o cunhadão a 10 metros da Polícia Rodoviária que resolveu, óbvio nos parar. Suspeitaram que estávamos carregando um defunto no porta-malas por conta do desespero dos cães pastores com o cheiro da gataria – revista digna da cena de Little Miss Sunshine. Paramos para dormir num breu, com o ar ligado e a bateria pifou. Minha força descomunal de borboleta colaborou para empurrar o Fox lotado. De madrugada. Embaixo de chuva.

Passaporte pro horror, a gente vê por aqui. VEM NÃO, GENTCHY!

Palestra no Dia do Jornalista

{ sexta-feira, 8 de abril de 2011 }
No Dia do Jornalista, comemorado ontem, voltei para a Unaerp, onde me formei há 10 anos [chocada quando fiz as contas!], convidada pelo aluno [e amigo] Daniel Gutierrez e pela professora Elivanete Barbi [que também deu aula pra mim!] para ministrar uma palestra sobre a importância da Assessoria de Imprensa no universo do Jornalismo.

Fiquei muito animada com a turma: super interessada, articulada e participativa. Os nossos futuros jornalistas estão de parabéns. Orgulho da categoria!

Valeu, galera! Adorei o convite, o carinho e o nosso bate-papo.

Pra não virar pizza

{ domingo, 3 de abril de 2011 }
Tantas coisas que lemos diariamente são dignas de revolta, que se eu fosse escrever todos os dias sobre algo que tenho nojo, lotaria esse blog com motins intermináveis contra preconceitos e bla-bla-blas não-construtivos. Porém, o assunto em pauta no Brasil que já está mais que batido e por isso relutei em fazer um post mencionando-o, diz respeito ao senhor deputado Jair Bolsonaro (PP) e sua falta, no mínimo, de bom senso ao responder perguntas durante um quadro do CQC, na última segunda-feira, 28 de março. O caso é apenas a ponta do Iceberg, já que o progressista é famoso pelas opiniões polêmicas e abobrinhas que dispara sem medo de ser (in)feliz, violando de vez em sempre o decoro parlamentar.

A indignação de uma nação – pelo menos da parte pensante e com Deus no coração – está aí. Escrevo, pois queremos respostas e, por isso, me atrevo a ser mais uma a aderir aos protestos contra a discriminação por parte do deputado que, não sei como e nem porquê, foi cair de paraquedas na Comissão de Direitos Humanos da Câmara.

O digníssimo representante da Casa de Leis do Rio de Janeiro, ao responder uma pergunta da cantora e apresentadora Preta Gil no quadro “O Povo Quer Saber”, atribuiu como promiscuidade a possibilidade de um filho seu se envolver com uma mulher afrodescendente e, não satisfeito com a declaração catastrófica, recheou o quadro do programa com frases humilhantes contra os homossexuais, qualificando, inclusive, pais de gays como “culpados” pela escolha sexual dos filhos já que não são “presentes”, como ele foi com os rebentos machos-de-sacos-roxos-sim-senhor. Em seu currículo, consta que já chegou a defender que pais dessem porrada nos filhos caso estes apresentassem preferências homossexuais. Pois é.

Como sabemos, os comentários tacanhos foram a causa de estômagos embrulhados de pessoas por todo o Brasil. E, porque não dizer, de vergonha alheia, já que suas declarações reacionárias doeram nos ouvidos e, naquele instante, ao ver a matéria, me pareceu possível só ser dita por alguém que não estivesse em seu juízo normal, tamanha a discrepância diante do cenário atual – e justo - de Leis e manifestos que resguardam minorias, inclusive, na Comissão da Câmara da qual este senhor faz parte.

Até a ditadura, responsável por milhares de mortos, desaparecidos, presos políticos, mutilados física e intelectualmente, ganhou destaque em horário nobre como sendo uma época de flores e borboletas. Ok, lamentável, porém, é a opinião dele de que a repressão é bacana e que a tortura é o caminho para a Ordem. Respeitemos! Mas que Médici, de alguma dimensão sombria, está tomando um uísque em comemoração à lembrança e ao discípulo, ignorando o sofrimento das mães que nunca mais tiveram notícias de seus filhos militantes, com certeza está.

O que queremos saber é sobre as investigações do Ministério Público e a cassação do senhor deputado, já defendida pela OAB por conta, como classificaram, de “caso odioso de preconceito”. Porém, a imunidade parlamentar poderá barrar as ações de crime de racismo, inclusive, pelo progressista ter defendido o fato de não ter entendido muito bem a pergunta de Preta quando inquirido sobre sua posição caso tivesse uma nora negra. É possível que ele não tenha compreendido mesmo, mas, se eu consegui seguir o raciocínio, então, ele se referia aos gays quando falou em promiscuidade? É o famoso descobrir um santo para cobrir outro.

Agora, penso eu. Aliados e seguidores de Bolsonaro defendem a liberdade de expressão, que foi decepada durante a ditadura militar, tão protegida pelo senhor deputado. Só para começar, suas declarações fogem do que é caracterizado como liberdade de expressão. Racismo, como até minha poodle sabe, é crime inafiançável e o projeto que torna a homofobia também um crime, já está tramitando no Senado. Enfim, seja lá o que ele quis dizer, em boca fechada não entra mosquito.

O líder do DEM, ACM Neto, condenou as declarações de Bolsonaro, mas é a favor de sanções menos severas que a cassação. Esse descaso que acontece em terras tupiniquins em pleno século 21 é jogar a podridão para debaixo do tapete, incentivando manifestações preconceituosas contra cidadãos. Penso que um ser humano que se diz Cristão deve colocar em prática o amor ao próximo e, no caso de Bolsonaro e seu radicalismo, pelo menos, a tolerância.

Que suas declarações bombásticas e vergonhosas sirvam como um alerta para mostrar que o Brasil ainda é provinciano em diversas questões culturais e sociais e que, infelizmente, ainda temos que comer muita feijoada de tofu para sermos irmãos realmente e, no mínimo, uma sociedade justa.

Termino dizendo ao filho do deputado, Flávio Bolsonaro (PP-RJ), que sua declaração pós-mancada sobre a ditadura, de que “Naquele tempo havia segurança, havia saúde, educação de qualidade, havia respeito. Hoje em dia a pessoa só tem o direito de quê? De votar. E ainda vota mal.”, está correta, ao meu ver, e ao olhar de muitos, em um único ponto: as pessoas votam mal pra caramba. Segunda-feira, dia 28 de março, tivemos mais uma prova disso.


Cartaz anexado na porta do gabinete de Bolsonaro em referência à abertura dos arquivos da ditadura e a busca dos mortos da guerrilha do Araguaia.

Ensaio Insano

{ sexta-feira, 1 de abril de 2011 }
Fiquei muito orgulhosa do resultado do ensaio da publicitária Fabiana Gorayeb, clicada pela Fabíola Medeiros no último dia 27 de março. Primeiro, porque houve toda uma pré-produção em cima do tema escolhido por essa minha amiga DIVA e cheia de criatividade, a começar pelo figurino, que, vamos combinar, tá de arrasar Cravinhos e surpreender até mesmo o nosso querido Beto Vaca, proprietário do bar que foi uma das locações do ensaio. Segundo, porque o material conseguiu ficar a cara da Bi: cor-de-rosa, doce, delicado, divertido, ousado e loucamente construtivo.
Adorei fazer parte dessa produção, meninas! ARRASA!


Aqui, as fotos que fiz do making of do babado: Fabiana e Fabíola no gás pra ficar tudo perfeito. Domingão produtivo - e cheio de gargalhadas, como sempre! AMO MAIS QUE SAIA DE TULE!

Vem nimim, Murphy!

{ quarta-feira, 30 de março de 2011 }
No mundo parecem existir apenas duas leis que funcionam realmente: A Lei da Gravidade e a Lei de Murphy. A primeira delas nos mantém com os pés no chão. A segunda, às vezes, nos tira dele, num tombo cinematográfico na escada do teatro lotado, vamos supor. Não sendo motivo suficiente para um vexame, o tropeço ainda levanta seu vestido e deixa sua calcinha a mostra para o público pagante. Entendeu como o que é ruim ainda tem chances de piorar?

No meu currículo, e acredito que no de todos – assim espero! – não é só o pão quando cai com a manteiga pra baixo que define essa lei horrorosa incutida no Planeta Terra por algum filho da puta from hell pra nos mostrar que paciência na vida é fundamental. E que o nosso bom humor pode ser desafiado com alguma gracinha idiota do destino.

Por exemplo, é rotineiro eu sair atrasadíssima de casa, trancar a porta, correr escada abaixo e ouvir no meio do caminho minha mãe gritar alguma coisa abafada e ininteligível. Subo de novo, caço na bolsa o chaveiro como se fosse um tesouro, abro as benditas três trancas dignas do QG do agente 86 e, em 85% dos casos - dados tabulados ao longo dos anos, o que ela quer saber é se estou levando um agasalho caso esfrie no calor de 40 graus de Ribeirão Preto.

Outra coisa bem bacana que define o quanto essa lei impera sobre nosso cotidiano é entrar no banho e o interfone começar a gritar depois de um dia inteirinho sem uma única visita. E o pior, você sai molhada, ensaboada, com xampu no cabelo, alaga a residência e é um exu qualquer perguntando se eu sei de algum apartamento no prédio pra alugar. Pô, manô! Minha compreensão de Madre Tereza já ficou no box junto com o sabonete de glicerina!

Mas o que mais me impressionou há um tempinho aí e me levou a crer que o ser humano não vale o Mendorato cheio de bactérias que come no balcão do boteco, foi uma coitada – que não vou citar nomes - que conseguiu desfilar a boate inteira com o vestido preso na calcinha mostrando as porpa da bunda em close e flashs após sair do banheiro! A lei de Murphy a-do-ra vestidos, como vocês puderam perceber.

E é aquela coisa, né: "Se algo pode dar errado, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo a causar o maior estrago possível". Tamos aí!


VEM MURPHY!

Uma noite caribenha

{ domingo, 27 de março de 2011 }
Tequila, mojitos, margaritas. Muito charme, magia, glamú e sedução. Nossa noite caribenha na sexta-feira do meu aniversário foi digna de um show do Kaoma. E a galere querida da minha vida esteve presente em peso no Rumba Bar ao som do ritmo latino. Amigos das antigas, novos amigos, amigos feitos lá mesmo na baladenha e que já moram no meu coração: MUITO OBRIGADA pela presença, carinho, animação e pelos modelitos lindos e floridos escolhidos a dedo para entrar com tudo no chá chá chá! AMEI!

E dentre as várias coisas fofíssimas e totalmente a minha cara que ganhei (de calçar, vestir, perfumar, ler, ouvir, usar, "acessorizar", beber, decorar), preciso mostrar uma delas aqui, já que esteve em pauta no meu penúltimo post. Lembram da meia pata poderosa da Jorge Bischoff que disse estar gamada? Pois é, eu ganhei de cinco queridas - santo blog protetor do rosa! Amigos e amigas, OBRIGADA por todos os mimos luxo! AMEI AO CUBO!

E o príncipe encantado revolucionário cubano misterioso calça o sapatinho na pessoa. A-do-rei, meninas divas Birla, Dessinha, Luzinha, Chris e Cris!!!

E nesse babado muita coisa boa! A Sá, minha amiga querida, veio de Uberlândia pra festenha. A Ju Gor, adiou uma viagem com o maridão pra me dar um super abraço de surpresa. Reuni amigos do dia-a-dia com amados que não via há muito tempo e conheci queridas que, até então, eram amigas virtuais e hoje são reais também. O Vic comemorou seu aniversário na virada também. E a Hélia, aniversariante da noite como eu, também escolheu o Rumba pra comemorar. Bailamos, rebolamos, encaramos rodadas de tequila - porque só os fortes sobrevivem - e demos boas risadas latinas e sensuais (Hoho!).

E gente, pra finalizar, quero agradecer publicamente o lindo post (que me fez chorar, sério!) no no blog da Gabriela Yamada. Obrigada minha pequena! Obrigada também à Fabíola Medeiros pelas fotos, Nilza Morais pela decoração de velas e Bi Gorayeb pela organização de tudo.

E vamos continuar nos jogando na lambada porque é chique. Tá, meobeim?

Ela por Ela

{ sexta-feira, 25 de março de 2011 }
Los cuatro hermanos: Sérgio, Ti, Paulo e Lívia (no colo)

Numa terça-feira de março, nascia uma menina feia com a boca imensa. Filha de um casal quarentão que já não tinha pretensão de ter mais filhos, a pequenina foi um acidente de percurso.
A menina foi melhorando a aparência, mas a boca continuou grande. Nos primeiros meses, não gostava nada de sorriso. Adorava biscoito.
Maiorzinha, descobriu que falar era bom demais e não parou mais. Hoje, até seu cotovelo fala. E a mente pulsa.
Demorou para aprender a andar porque, de tão gorda, seus joelhos batiam um no outro. Hoje, faz regime de engorda com banana amassada e aveia. E come, como come! Dizem até que tem uma perna oca pra caber tanta comida.
Perdeu o primeiro dente aos quatro anos, mesma época em que descobriu que era gostoso ler. Aprendeu sozinha. Vaidosa desde que saiu da barriga, exigiu que a dentista colasse o seu dentinho de volta.
Desde pequena já falava alto e gesticulava. Deve ser efeito da ascendência italiana. Ao mesmo tempo, gosta do seu canto, do silêncio, de curtir sua rara, mas existente amargura, que tenta disfarçar com sorrisos fáceis. Influência de seus antepassados ucranianos.
Era uma péssima esportista, de dar medo pro susto. A bola nunca combinou com ela e sempre foi a última a ser escolhida nos times, o que lhe rendeu um certo complexo e aversão a jogos. Aliás, sempre teve problemas de coordenação motora. Ainda hoje, é estabanada como um urso numa loja de cristais. Dança mal, inclusive, e odeia coreografias: acho que tem duas pernas esquerdas.
A menina cresceu. Não apareceu muito na adolescência. Usava aparelho para consertar os dentes, que realmente eram horríveis. Arrumou o primeiro namorado aos 15. O romance durou quatro anos, mas um prato de sopa jogado na cabeça do rapaz pôs fim à história. Arianas...
Já teve catapora e escarlatina. E nunca aprendeu direito a andar de bicicleta. Sua paixão era papel de carta e brincar de casinha, onde ela mandava e desmandava na brincadeira.
Na adolescência, abreviava o “Maria” e tinha ódio de ter esse nome do meio. Hoje, até acha bacana. Pulou muito muro de colégio para cabular aula. Fumava escondida no banheiro. Batia boca na escola, mas, pasmem, tirava muita nota boa. Aos 17, entrou no curso de jornalismo com a idéia generalizada dos focas de mudar o mundo. O seu, pelo menos, foi transformado.
Nunca gostou de injustiças e até hoje sua veia da testa palpita ao menor sinal disso. Na faculdade, descobriu muitas coisas, boas e ruins, mas nada do que se arrependa. Era riponga. Apaixonada por Doors, Janis Joplin, Ney Matogrosso e Deep Purple. E Stanley Kubrick. E García Marquez. E também por Augusto dos Anjos. Por causa de seus princípios, ficou anos sem tomar Coca-Cola e sem comer lanches do Mc Donald´s num movimento infantil contra o Imperialismo. Continua fã do grande Che, mas seus heróis socialistas que a perdoem, pois descobriu ser fanática por sapatos e gasta horrores com eles.
Não mudou o jeito impulsivo, mas hoje até que convive bem com ele, desde que não pisem em sua unha do pé recém pintada de vermelho.
Aos 21 se formou. Trabalhou em todas as vertentes do jornalismo e desconhecia finais de semana, Natal e, por vezes, até mesmo que a madrugada foi feita pra dormir. Aos 27, montou sua empresa. E hoje, aos 31, não gostaria nem por decreto do rei de voltar a ter 20 – mesmo com as marquinhas de expresão balzaquianas que surgem com o tempo. Ah, o tempo...
Tem uma família linda, unida, companheira. Escolhe a dedo seus bons amigos e é capaz de tudo por causa deles. Perdeu o irmão querido e as avós que ajudaram a criá-la. Tem o gênio forte, mas, em contrapartida, o coração mole e bobo, assim como o pai querido. A mãe é seu porto-seguro, grande amiga, carinhosa e conselheira. Seus irmãos têm em sua vida o verdadeiro significado da fraternidade – é um por todos e todos por um. Tem seis sobrinhos de sangue e vários de coração, filhos das amigas amadas.
E, neste ciclo que se inicia, a partir do seu aniversário, seu plano mais consistente para o futuro é ser feliz. Na verdade, continuar sendo.


Oh, Yeah!

Navegar é Preciso – Diário de Bordo

{ quinta-feira, 10 de março de 2011 }

Cinco dias se passaram desde que eu voltei do Cruzeiro que fiz no Mariner of The Seas e acho que já consegui absorver boa parte da magnitude da viagem e, por isso, chegou a hora de falar sobre ele.
Um cruzeiro? É bacana, e tal. Muito luxo, glamour e sedução, mas pra mim, foi bem mais do que entrar num navio e curtir tudo o que ele tinha para oferecer – e, diga-se de passagem, era coisa pra caramba. Foi sentir a liberdade aos meus pés e em minha mente. Foi sair da minha realidade e voltar para ela muito mais leve, com fantasmas do cotidiano jogados com âncora e tudo no meio do Atlântico por todo o percurso Santos-Rio-Salvador.



A imensidão do mar, num universo paralelo e flutuante, desperta sensações estranhas nas pessoas. Ouso afirmar até mesmo de imunidade, afinal, dizem que o que acontece num navio, fica no navio. Sugestivo, mas nem é preciso levar tão a sério o lema para perceber que o clima lá dentro é desoprimido, 24 horas por dia. Um brinde com tequila ao deus Netuno!
Assim que botei os pés no Mariner, me veio esse insight. Primeiro, fiquei chocada com a riqueza dos detalhes de cada deck, babando feito aquele menino que empina pipa no ventilador quando vai pra Disney em excursão com a Tia Augusta. Quatorze andares, uma bússola no bolso e um uau! ao avistar cada pedacinho ainda desconhecido... era meio que assim. O Mariner é o oitavo maior navio do mundo e não voltará tão cedo para o Brasil, ou seja, oportunidade rara em estar ali dentro.





Depois, aos poucos, fui compreendendo que aquele luxo me pertencia por sete dias e passei a me jogar ao máximo e com purpurina em cada sensação, passando pela culinária, que é de te fazer engordar quilos descontrolados sem sentir culpa, pelo tratamento de rainha em cada gesto simpático da tripulação que é muito fofa, indo até a delícia que é conhecer pessoas novas, de outros estados e até mesmo países, todos confinados no gingado de valsa do navio [sim, porque prestenção, é um passinho pro lado de cá, outro pro lado de lá e bem-vinda, maldita labirintite!] e vivendo em sociedade, buscando a interação num cenário comum a mais de quatro mil pessoas, entre passageiros e tripulantes.
Certas situações intimistas ficarão para sempre na memória, como o pôr do sol mágico no deck da piscina que tingiu cores no céu que só podem ser apreciadas por quem está disposto a enxergá-las com o coração. Hora de reflexão, ao som de Ana Carolina, minha musa nacional do momento. Hora também de conhecer gente legal, na mesma vibe. Outras ocasiões também me marcaram, como os lindos e poéticos nasceres do sol e o vento e seu zunido alucinante na proa do navio à noite, onde só se ouvia o mar e enxergava-se o nada. E o nada ali era bem-vindo.





A vida ali dentro te dá chances de pensar muito, mas também de curtir cada segundo como se fosse o último. Rata de praia e de sol, um dos pontos que mais amei e não largava nem pela apresentação de patinação no gelo com dançarinos lindos e super renomados, era o deck da piscina onde bebíamos Coronas geladíssimas e ficávamos embolorando nas jacuzzis no fim da tarde (tá meobeim?). Meu, só de lembrar daquele céu e daquele mar azul da Bahia, me pergunto porque não me amarrei no convés com nó de marinheiro pra poder curtir mais alguns dias...









À noite, íamos para um esquenta antes da boate no pub Wig & Gavel na Promenade, “avenida” principal do navio, palco da nossa amizade com um grupo de eslavos gente boa que me apeguei por a maioria ter sangue ucraniano, assim como eu. O brinde deles, que era “Linea”, virou “Líbia” por conta da insistência do grupo ribeirãopretano e, onde quer que eles nos vissem, faziam a saudação à La brasileira.



Estragamos uma coreografia no primeiro dia por acharmos que os passageiros também podiam participar da dança e arrasamos na descoordenação. Peguei no sono na sacada fria aguardando o nascer do sol e acordei mais rouca que a Elza Soares. Dormi no máximo 10 horas – as seis noites. Bebi em dólar e quase tive que vender as córneas pra pagar a conta. Ganhei o apelido de perna oca por comer mais do que meu corpo de borboleta parecia aguentar e quase transformei meu fígado em sucata com as baladas do navio, principalmente aquela regada a champanhe, com ótimas companhias, depois de um dia inteiro de um sol escaldante, cerveja e caipirinha. Segura na mão de Iemanjá!



A viagem foi minha e guardo dela o que bem entender. Mas tenho que agradecer a quem participou disso tudo, tornando-a tão fantástica e memorável: meus queridos amigos Maroca, Lélia e Vic, que foram mais que companheiros e dividiram a cabine, as histórias e as gargalhadas em vários idiomas comigo, e os novos queridos que ganhei por tabela no cruzeiro e que estamos estreitando a amizade graças à Santa Tecnologia dos Babados Abafados, que atende pelo nome de Facebook, Nextel ou MSN.
No entanto, principalmente, tenho que reverenciar o céu, o mar, o vento, a lua e o sol, que colaboraram para que cada sensação fosse única e tão especial.

Um brinde a tudo isso: LÍÍÍÍBIA!