Vem nimim, Murphy!

{ quarta-feira, 30 de março de 2011 }
No mundo parecem existir apenas duas leis que funcionam realmente: A Lei da Gravidade e a Lei de Murphy. A primeira delas nos mantém com os pés no chão. A segunda, às vezes, nos tira dele, num tombo cinematográfico na escada do teatro lotado, vamos supor. Não sendo motivo suficiente para um vexame, o tropeço ainda levanta seu vestido e deixa sua calcinha a mostra para o público pagante. Entendeu como o que é ruim ainda tem chances de piorar?

No meu currículo, e acredito que no de todos – assim espero! – não é só o pão quando cai com a manteiga pra baixo que define essa lei horrorosa incutida no Planeta Terra por algum filho da puta from hell pra nos mostrar que paciência na vida é fundamental. E que o nosso bom humor pode ser desafiado com alguma gracinha idiota do destino.

Por exemplo, é rotineiro eu sair atrasadíssima de casa, trancar a porta, correr escada abaixo e ouvir no meio do caminho minha mãe gritar alguma coisa abafada e ininteligível. Subo de novo, caço na bolsa o chaveiro como se fosse um tesouro, abro as benditas três trancas dignas do QG do agente 86 e, em 85% dos casos - dados tabulados ao longo dos anos, o que ela quer saber é se estou levando um agasalho caso esfrie no calor de 40 graus de Ribeirão Preto.

Outra coisa bem bacana que define o quanto essa lei impera sobre nosso cotidiano é entrar no banho e o interfone começar a gritar depois de um dia inteirinho sem uma única visita. E o pior, você sai molhada, ensaboada, com xampu no cabelo, alaga a residência e é um exu qualquer perguntando se eu sei de algum apartamento no prédio pra alugar. Pô, manô! Minha compreensão de Madre Tereza já ficou no box junto com o sabonete de glicerina!

Mas o que mais me impressionou há um tempinho aí e me levou a crer que o ser humano não vale o Mendorato cheio de bactérias que come no balcão do boteco, foi uma coitada – que não vou citar nomes - que conseguiu desfilar a boate inteira com o vestido preso na calcinha mostrando as porpa da bunda em close e flashs após sair do banheiro! A lei de Murphy a-do-ra vestidos, como vocês puderam perceber.

E é aquela coisa, né: "Se algo pode dar errado, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo a causar o maior estrago possível". Tamos aí!


VEM MURPHY!

Uma noite caribenha

{ domingo, 27 de março de 2011 }
Tequila, mojitos, margaritas. Muito charme, magia, glamú e sedução. Nossa noite caribenha na sexta-feira do meu aniversário foi digna de um show do Kaoma. E a galere querida da minha vida esteve presente em peso no Rumba Bar ao som do ritmo latino. Amigos das antigas, novos amigos, amigos feitos lá mesmo na baladenha e que já moram no meu coração: MUITO OBRIGADA pela presença, carinho, animação e pelos modelitos lindos e floridos escolhidos a dedo para entrar com tudo no chá chá chá! AMEI!

E dentre as várias coisas fofíssimas e totalmente a minha cara que ganhei (de calçar, vestir, perfumar, ler, ouvir, usar, "acessorizar", beber, decorar), preciso mostrar uma delas aqui, já que esteve em pauta no meu penúltimo post. Lembram da meia pata poderosa da Jorge Bischoff que disse estar gamada? Pois é, eu ganhei de cinco queridas - santo blog protetor do rosa! Amigos e amigas, OBRIGADA por todos os mimos luxo! AMEI AO CUBO!

E o príncipe encantado revolucionário cubano misterioso calça o sapatinho na pessoa. A-do-rei, meninas divas Birla, Dessinha, Luzinha, Chris e Cris!!!

E nesse babado muita coisa boa! A Sá, minha amiga querida, veio de Uberlândia pra festenha. A Ju Gor, adiou uma viagem com o maridão pra me dar um super abraço de surpresa. Reuni amigos do dia-a-dia com amados que não via há muito tempo e conheci queridas que, até então, eram amigas virtuais e hoje são reais também. O Vic comemorou seu aniversário na virada também. E a Hélia, aniversariante da noite como eu, também escolheu o Rumba pra comemorar. Bailamos, rebolamos, encaramos rodadas de tequila - porque só os fortes sobrevivem - e demos boas risadas latinas e sensuais (Hoho!).

E gente, pra finalizar, quero agradecer publicamente o lindo post (que me fez chorar, sério!) no no blog da Gabriela Yamada. Obrigada minha pequena! Obrigada também à Fabíola Medeiros pelas fotos, Nilza Morais pela decoração de velas e Bi Gorayeb pela organização de tudo.

E vamos continuar nos jogando na lambada porque é chique. Tá, meobeim?

Ela por Ela

{ sexta-feira, 25 de março de 2011 }
Los cuatro hermanos: Sérgio, Ti, Paulo e Lívia (no colo)

Numa terça-feira de março, nascia uma menina feia com a boca imensa. Filha de um casal quarentão que já não tinha pretensão de ter mais filhos, a pequenina foi um acidente de percurso.
A menina foi melhorando a aparência, mas a boca continuou grande. Nos primeiros meses, não gostava nada de sorriso. Adorava biscoito.
Maiorzinha, descobriu que falar era bom demais e não parou mais. Hoje, até seu cotovelo fala. E a mente pulsa.
Demorou para aprender a andar porque, de tão gorda, seus joelhos batiam um no outro. Hoje, faz regime de engorda com banana amassada e aveia. E come, como come! Dizem até que tem uma perna oca pra caber tanta comida.
Perdeu o primeiro dente aos quatro anos, mesma época em que descobriu que era gostoso ler. Aprendeu sozinha. Vaidosa desde que saiu da barriga, exigiu que a dentista colasse o seu dentinho de volta.
Desde pequena já falava alto e gesticulava. Deve ser efeito da ascendência italiana. Ao mesmo tempo, gosta do seu canto, do silêncio, de curtir sua rara, mas existente amargura, que tenta disfarçar com sorrisos fáceis. Influência de seus antepassados ucranianos.
Era uma péssima esportista, de dar medo pro susto. A bola nunca combinou com ela e sempre foi a última a ser escolhida nos times, o que lhe rendeu um certo complexo e aversão a jogos. Aliás, sempre teve problemas de coordenação motora. Ainda hoje, é estabanada como um urso numa loja de cristais. Dança mal, inclusive, e odeia coreografias: acho que tem duas pernas esquerdas.
A menina cresceu. Não apareceu muito na adolescência. Usava aparelho para consertar os dentes, que realmente eram horríveis. Arrumou o primeiro namorado aos 15. O romance durou quatro anos, mas um prato de sopa jogado na cabeça do rapaz pôs fim à história. Arianas...
Já teve catapora e escarlatina. E nunca aprendeu direito a andar de bicicleta. Sua paixão era papel de carta e brincar de casinha, onde ela mandava e desmandava na brincadeira.
Na adolescência, abreviava o “Maria” e tinha ódio de ter esse nome do meio. Hoje, até acha bacana. Pulou muito muro de colégio para cabular aula. Fumava escondida no banheiro. Batia boca na escola, mas, pasmem, tirava muita nota boa. Aos 17, entrou no curso de jornalismo com a idéia generalizada dos focas de mudar o mundo. O seu, pelo menos, foi transformado.
Nunca gostou de injustiças e até hoje sua veia da testa palpita ao menor sinal disso. Na faculdade, descobriu muitas coisas, boas e ruins, mas nada do que se arrependa. Era riponga. Apaixonada por Doors, Janis Joplin, Ney Matogrosso e Deep Purple. E Stanley Kubrick. E García Marquez. E também por Augusto dos Anjos. Por causa de seus princípios, ficou anos sem tomar Coca-Cola e sem comer lanches do Mc Donald´s num movimento infantil contra o Imperialismo. Continua fã do grande Che, mas seus heróis socialistas que a perdoem, pois descobriu ser fanática por sapatos e gasta horrores com eles.
Não mudou o jeito impulsivo, mas hoje até que convive bem com ele, desde que não pisem em sua unha do pé recém pintada de vermelho.
Aos 21 se formou. Trabalhou em todas as vertentes do jornalismo e desconhecia finais de semana, Natal e, por vezes, até mesmo que a madrugada foi feita pra dormir. Aos 27, montou sua empresa. E hoje, aos 31, não gostaria nem por decreto do rei de voltar a ter 20 – mesmo com as marquinhas de expresão balzaquianas que surgem com o tempo. Ah, o tempo...
Tem uma família linda, unida, companheira. Escolhe a dedo seus bons amigos e é capaz de tudo por causa deles. Perdeu o irmão querido e as avós que ajudaram a criá-la. Tem o gênio forte, mas, em contrapartida, o coração mole e bobo, assim como o pai querido. A mãe é seu porto-seguro, grande amiga, carinhosa e conselheira. Seus irmãos têm em sua vida o verdadeiro significado da fraternidade – é um por todos e todos por um. Tem seis sobrinhos de sangue e vários de coração, filhos das amigas amadas.
E, neste ciclo que se inicia, a partir do seu aniversário, seu plano mais consistente para o futuro é ser feliz. Na verdade, continuar sendo.


Oh, Yeah!

Navegar é Preciso – Diário de Bordo

{ quinta-feira, 10 de março de 2011 }

Cinco dias se passaram desde que eu voltei do Cruzeiro que fiz no Mariner of The Seas e acho que já consegui absorver boa parte da magnitude da viagem e, por isso, chegou a hora de falar sobre ele.
Um cruzeiro? É bacana, e tal. Muito luxo, glamour e sedução, mas pra mim, foi bem mais do que entrar num navio e curtir tudo o que ele tinha para oferecer – e, diga-se de passagem, era coisa pra caramba. Foi sentir a liberdade aos meus pés e em minha mente. Foi sair da minha realidade e voltar para ela muito mais leve, com fantasmas do cotidiano jogados com âncora e tudo no meio do Atlântico por todo o percurso Santos-Rio-Salvador.



A imensidão do mar, num universo paralelo e flutuante, desperta sensações estranhas nas pessoas. Ouso afirmar até mesmo de imunidade, afinal, dizem que o que acontece num navio, fica no navio. Sugestivo, mas nem é preciso levar tão a sério o lema para perceber que o clima lá dentro é desoprimido, 24 horas por dia. Um brinde com tequila ao deus Netuno!
Assim que botei os pés no Mariner, me veio esse insight. Primeiro, fiquei chocada com a riqueza dos detalhes de cada deck, babando feito aquele menino que empina pipa no ventilador quando vai pra Disney em excursão com a Tia Augusta. Quatorze andares, uma bússola no bolso e um uau! ao avistar cada pedacinho ainda desconhecido... era meio que assim. O Mariner é o oitavo maior navio do mundo e não voltará tão cedo para o Brasil, ou seja, oportunidade rara em estar ali dentro.





Depois, aos poucos, fui compreendendo que aquele luxo me pertencia por sete dias e passei a me jogar ao máximo e com purpurina em cada sensação, passando pela culinária, que é de te fazer engordar quilos descontrolados sem sentir culpa, pelo tratamento de rainha em cada gesto simpático da tripulação que é muito fofa, indo até a delícia que é conhecer pessoas novas, de outros estados e até mesmo países, todos confinados no gingado de valsa do navio [sim, porque prestenção, é um passinho pro lado de cá, outro pro lado de lá e bem-vinda, maldita labirintite!] e vivendo em sociedade, buscando a interação num cenário comum a mais de quatro mil pessoas, entre passageiros e tripulantes.
Certas situações intimistas ficarão para sempre na memória, como o pôr do sol mágico no deck da piscina que tingiu cores no céu que só podem ser apreciadas por quem está disposto a enxergá-las com o coração. Hora de reflexão, ao som de Ana Carolina, minha musa nacional do momento. Hora também de conhecer gente legal, na mesma vibe. Outras ocasiões também me marcaram, como os lindos e poéticos nasceres do sol e o vento e seu zunido alucinante na proa do navio à noite, onde só se ouvia o mar e enxergava-se o nada. E o nada ali era bem-vindo.





A vida ali dentro te dá chances de pensar muito, mas também de curtir cada segundo como se fosse o último. Rata de praia e de sol, um dos pontos que mais amei e não largava nem pela apresentação de patinação no gelo com dançarinos lindos e super renomados, era o deck da piscina onde bebíamos Coronas geladíssimas e ficávamos embolorando nas jacuzzis no fim da tarde (tá meobeim?). Meu, só de lembrar daquele céu e daquele mar azul da Bahia, me pergunto porque não me amarrei no convés com nó de marinheiro pra poder curtir mais alguns dias...









À noite, íamos para um esquenta antes da boate no pub Wig & Gavel na Promenade, “avenida” principal do navio, palco da nossa amizade com um grupo de eslavos gente boa que me apeguei por a maioria ter sangue ucraniano, assim como eu. O brinde deles, que era “Linea”, virou “Líbia” por conta da insistência do grupo ribeirãopretano e, onde quer que eles nos vissem, faziam a saudação à La brasileira.



Estragamos uma coreografia no primeiro dia por acharmos que os passageiros também podiam participar da dança e arrasamos na descoordenação. Peguei no sono na sacada fria aguardando o nascer do sol e acordei mais rouca que a Elza Soares. Dormi no máximo 10 horas – as seis noites. Bebi em dólar e quase tive que vender as córneas pra pagar a conta. Ganhei o apelido de perna oca por comer mais do que meu corpo de borboleta parecia aguentar e quase transformei meu fígado em sucata com as baladas do navio, principalmente aquela regada a champanhe, com ótimas companhias, depois de um dia inteiro de um sol escaldante, cerveja e caipirinha. Segura na mão de Iemanjá!



A viagem foi minha e guardo dela o que bem entender. Mas tenho que agradecer a quem participou disso tudo, tornando-a tão fantástica e memorável: meus queridos amigos Maroca, Lélia e Vic, que foram mais que companheiros e dividiram a cabine, as histórias e as gargalhadas em vários idiomas comigo, e os novos queridos que ganhei por tabela no cruzeiro e que estamos estreitando a amizade graças à Santa Tecnologia dos Babados Abafados, que atende pelo nome de Facebook, Nextel ou MSN.
No entanto, principalmente, tenho que reverenciar o céu, o mar, o vento, a lua e o sol, que colaboraram para que cada sensação fosse única e tão especial.

Um brinde a tudo isso: LÍÍÍÍBIA!