Ela por Ela

{ sexta-feira, 25 de março de 2011 }
Los cuatro hermanos: Sérgio, Ti, Paulo e Lívia (no colo)

Numa terça-feira de março, nascia uma menina feia com a boca imensa. Filha de um casal quarentão que já não tinha pretensão de ter mais filhos, a pequenina foi um acidente de percurso.
A menina foi melhorando a aparência, mas a boca continuou grande. Nos primeiros meses, não gostava nada de sorriso. Adorava biscoito.
Maiorzinha, descobriu que falar era bom demais e não parou mais. Hoje, até seu cotovelo fala. E a mente pulsa.
Demorou para aprender a andar porque, de tão gorda, seus joelhos batiam um no outro. Hoje, faz regime de engorda com banana amassada e aveia. E come, como come! Dizem até que tem uma perna oca pra caber tanta comida.
Perdeu o primeiro dente aos quatro anos, mesma época em que descobriu que era gostoso ler. Aprendeu sozinha. Vaidosa desde que saiu da barriga, exigiu que a dentista colasse o seu dentinho de volta.
Desde pequena já falava alto e gesticulava. Deve ser efeito da ascendência italiana. Ao mesmo tempo, gosta do seu canto, do silêncio, de curtir sua rara, mas existente amargura, que tenta disfarçar com sorrisos fáceis. Influência de seus antepassados ucranianos.
Era uma péssima esportista, de dar medo pro susto. A bola nunca combinou com ela e sempre foi a última a ser escolhida nos times, o que lhe rendeu um certo complexo e aversão a jogos. Aliás, sempre teve problemas de coordenação motora. Ainda hoje, é estabanada como um urso numa loja de cristais. Dança mal, inclusive, e odeia coreografias: acho que tem duas pernas esquerdas.
A menina cresceu. Não apareceu muito na adolescência. Usava aparelho para consertar os dentes, que realmente eram horríveis. Arrumou o primeiro namorado aos 15. O romance durou quatro anos, mas um prato de sopa jogado na cabeça do rapaz pôs fim à história. Arianas...
Já teve catapora e escarlatina. E nunca aprendeu direito a andar de bicicleta. Sua paixão era papel de carta e brincar de casinha, onde ela mandava e desmandava na brincadeira.
Na adolescência, abreviava o “Maria” e tinha ódio de ter esse nome do meio. Hoje, até acha bacana. Pulou muito muro de colégio para cabular aula. Fumava escondida no banheiro. Batia boca na escola, mas, pasmem, tirava muita nota boa. Aos 17, entrou no curso de jornalismo com a idéia generalizada dos focas de mudar o mundo. O seu, pelo menos, foi transformado.
Nunca gostou de injustiças e até hoje sua veia da testa palpita ao menor sinal disso. Na faculdade, descobriu muitas coisas, boas e ruins, mas nada do que se arrependa. Era riponga. Apaixonada por Doors, Janis Joplin, Ney Matogrosso e Deep Purple. E Stanley Kubrick. E García Marquez. E também por Augusto dos Anjos. Por causa de seus princípios, ficou anos sem tomar Coca-Cola e sem comer lanches do Mc Donald´s num movimento infantil contra o Imperialismo. Continua fã do grande Che, mas seus heróis socialistas que a perdoem, pois descobriu ser fanática por sapatos e gasta horrores com eles.
Não mudou o jeito impulsivo, mas hoje até que convive bem com ele, desde que não pisem em sua unha do pé recém pintada de vermelho.
Aos 21 se formou. Trabalhou em todas as vertentes do jornalismo e desconhecia finais de semana, Natal e, por vezes, até mesmo que a madrugada foi feita pra dormir. Aos 27, montou sua empresa. E hoje, aos 31, não gostaria nem por decreto do rei de voltar a ter 20 – mesmo com as marquinhas de expresão balzaquianas que surgem com o tempo. Ah, o tempo...
Tem uma família linda, unida, companheira. Escolhe a dedo seus bons amigos e é capaz de tudo por causa deles. Perdeu o irmão querido e as avós que ajudaram a criá-la. Tem o gênio forte, mas, em contrapartida, o coração mole e bobo, assim como o pai querido. A mãe é seu porto-seguro, grande amiga, carinhosa e conselheira. Seus irmãos têm em sua vida o verdadeiro significado da fraternidade – é um por todos e todos por um. Tem seis sobrinhos de sangue e vários de coração, filhos das amigas amadas.
E, neste ciclo que se inicia, a partir do seu aniversário, seu plano mais consistente para o futuro é ser feliz. Na verdade, continuar sendo.


Oh, Yeah!

13 palpites:

Carol Viana disse...

Já identifiquei dois pontos em comum... falar cedo e aprender a ler cedo.. e a última foto tá um arraso de gostosura... parabéns, Lívia!
vamos botar esses cotovelos pra conversar... ihuulll!!!!

Maísa disse...

Parabens Lívia, pelo aniversário, e pelo post... valeu muito a pena ter parado um pouquinho p ler... bjos...

lu trevejo disse...

Eu podia dormir sem essa, mas Deus às vezes é gentil comigo.
Que delícia, Lívia.
É essa naturalidade, essa despretensao , essa tranquilidade em falar de si com naturalidade, de nao precisar fazer propaganda de si mesma , que te torna tão boa com as palavras.
Delicioso mesmo , seu auto retrato. E sim, você fala com as mãos e eu adoro isso, sabia? Um amigo me dizia que se segurassem minhas mãos, minha boca automaticamente se calaria. E é verdade. Coisa de ariana? de leonina? Não. Coisa nossa, simplesmente.
PArabens pra você, e a gente se vê à noite, ok?
Obs: Que pernao, hein! Benza Deus.

Shirley disse...

Parabénsssssssssss, muitas felicidades, adorei o texto e temos coisas em comum, depois que eu aprendi a falar não parei mais e hoje meus cotovelos falam e se duvidar até o resto rs...
Também como igual uma louca e ninguém acredita para onde vai tanta comida, mas fala sério, ser magra é muito bom, afinal de contas não é qualquer uma que chega aos 31 com corpinho de 18 né e você chegou, então parabéns duas vezes, bjocas e muitas felicidades...

alexia disse...

Entaum...essa é minha amiga Lívia...rssss
Amiga, como sempe arrasando no texto, fiquei emocionada....é vc é tudo isso sim..!!!!
Parabéns , que Deus continue sempre do seu lado, te iluminando , te abencoando, te protegendo...Te adoro ...parabéns!! Que orgulho eu tenho de você..bjsss

Juliana disse...

Ai, q texto mais lindo! Me emocionei!
Parabéns, Lívia, td felicidade, saúde e sucesso pra vc!
Bjos!

Dan disse...

ehehe.
auto-descrição! uma das mais bacanas que já li.
E o continuar sendo feliz é realmente o que vc deve fazer. Com a boca grande e o sorriso fácil, tão dificil em outras épocas, vai conquistando amigos e admiradores!

continue assim baby! Sério!

Aproveite muuuuuito, mas muuuuito seu dia! Vc merece!
Que bom que nos aproximamos mais ainda e que posso compartilhar relatos como esse!
Desejo, do fundo do coração, tudo o que vc gosta, todo dia pra vc!
Bjo grande de parabéns!!
:D

Anônimo disse...

Oi Lívia, adorei o texto e o blog todo!
Vc tem um jeito mágico de escrever... é encantador.

Parabéns, muitas felicidades!


Bjos
Lorraine - do Dicas Mulher

Renata disse...

Oh Lívia!!! Euu lembro de vc como naquela segunda foto, na sacada. Bons tempos!
Parabéns por ter se 'saído bem' atpe hj, rsrs, a vida é dura (ui!) mas com persistência e fé a gente dá conta!
Beijo

Pre disse...

Que lindo, quase que choro!
Ai Lí, muitas felicidade hoje e sempre, você SÓ merece =)

Beijãããão

Bordunga disse...

Que lindaaaaaaaaaaaaaaaa!

Amei!

Tudo de maravilhoso para vc. Que a vida sempre a presenteie com as mais adoráveis surpresas!

Muita saúde, muita luz e muitos holofotes pelos seus caminhos. SEMPRE!

Beijo imenso!

Fernanda Marchioretto disse...

Que coisa gostosa de ler minha gente! Que seus caminhos continuem com muita luz, sempre!
Beijão!

Anônimo disse...

Livia que lindo, pura inspiração... delícia! Como sempre é uma viagem. bjos Susana de Souza

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