Dia dos Namorados

{ domingo, 12 de junho de 2011 }
Sininhos tocando, musiquinhas by Enya acompanhadas de harpas. Pés flutuando. Sonhar acordado. Toda essa baboseira que todo mundo dá risada, mas que cada um, sem exceção, já sentiu ao estar gostando de alguém.
Para alguns, a sensação causa um certo desespero pelo descontrole das emoções. Para outros, saber aproveitar esse clima passional é como um piquenique só de guloseimas, onde se degusta tudo com pressa e vontade, sem pensar na dieta.
Aí bate aquela vontade dela dar um telefonema só pra contar que pintou as unhas de vermelho. Ou que estava passando um jogo que ele gostaria de ver. Ele pensa em ligar só pra ouvir a voz dela, mesmo sem ter nada de especial pra dizer. E rola a vontade de estar perto, como se cada segundo que se passa longe é uma eternidade, como o tempo em que estiveram separados, ainda desconhecidos um do outro por alguma armadilha sem-vergonha da vida.
E todas aquelas promessas que ela fez de tão cedo não se envolver porque a vida de solteira estava divertida e mais fácil de encarar e que ele jurou de pé junto não viver mais um lance a dois porque definitivamente não valia a pena, se perdem num redemoinho meloso. E os suspiros são motivos de piadas dos amigos, que no fundo, também se deliciam com cada beijo inesperado em público, com cada olhar apaixonado...
E, de repente, aquelas semanas se transformam numa sequência de acontecimentos que parece ser de anos, até décadas. E as histórias de cada um se cruzam, se imitam, se completam; eles se descobrem parecidos. Gostam das mesmas coisas. Se divertem juntos, se apóiam. E ela tem a certeza de que não é efêmero quando ouve, bem baixinho, que estar amando é sentir uma tranquilidade quente e gostosa dentro do peito. Talvez porque esteja sentindo exatamente a mesma coisa.