Desabafo de uma (não) atleta

{ terça-feira, 6 de dezembro de 2011 }

Mais do que tentar enganar o outro de que você é uma atleta e que adora a vida saudável, é ludibriar a si mesmo.
Uma série de acontecimentos recentes me fizeram acreditar que eu deveria buscar uma atividade física: o pós-trinta, as calças que já não fecham, a descoberta de que temos na família um problema cardíaco hereditário e, lógico, a maldita celulite se proliferando na minha bunda com a mesma velocidade que minha fome aumentou depois que parei de fumar, há pouco mais de um mês.
Não me restou outra coisa senão fazer aquela promessa para mim mesmo que até eu desconfiei que conseguiria levar a sério: entrarei pra academia. Como um malandro cheio de lábia, me joguei um 171 e consegui me enganar com meu charme irresistível.
Pensei: já me diverti na época que eu corria, tive um corpaço quando tinha pique de ginástica, por que não, não é mesmo? Fui lá, me matriculei, dei uma sapeada na programação e, dentre as 358 aulas e técnicas e lutas e o diabo a quatro, a única que não tinha nome estranho e que eu sabia o significado era boxe. Me fiz de especialista no assunto e apontei: é isso.
Fui para casa certa de que tinha feito a escolha certa; detesto maromba e, apesar da aparência de periquito, levo jeito pra umas atividades mais brutas. Separei do maleiro as roupitchas fitness, gastei um rim e meio nos equipamentos necessários, destruí por diversas vezes o esmalte recém-passado e ganhei alguns hematomas pelo corpo e bolhas na sola do pé, bem como o ódio cruel e eterno por tatames.
O engraçado é que até me dava bem na hora de dar porrada, porém, não conseguia de maneira nenhuma coordenar a sequência de golpes e, certa vez, treinando defesa, o reflexo foi mais rápido e acabei tacando um murro no ouvido de uma das meninas, gerando desconforto e me fazendo evaporar de vez das aulas.
Depois de desistir deste malfadado esporte, resolvi fazer localizada. A professora é um barato, super animada e os resultados, realmente, podiam ser medidos muito rápido - se eu frequentasse as aulas regularmente ou fizesses os exercícios corretamente. Porém, cada hora que me olhava no espelho puxando peso, tinha vontade de dar risada me sentindo absolutamente ridícula naquela posição de quem está fazendo força pra ir ao banheiro. E confesso, às vezes que não ria de mim, ria das colegues que empinavam as ancas como se isso fosse a coisa mais natural do planeta Terra.
Enfim, gastei quatro meses do meu rico dinheirinho em academia e dá pra contar as vezes que frequentei aquele antro da boa forma de verdade. Bem humorada, pelo menos, posso afirmar que nunca: a preguiça de conquistar uma vida saudável era tão visível que saía de lá louca pra acender um cigarro ou comer uma pizza inteira sozinha. Isso para não enumerar as desculpas mais bem planejadas para faltar às aulas, que iam desde “já lavei o cabelo de manhã e não quero lavar de novo à noite” até “daqui 45 dias tenho um evento e é melhor trabalhar nele desde já”.
Não me adaptei aos papos, não fiz amigas popozudas de macacão colorido e meia branca até a canela, não queimei gordura, não ganhei bem-estar e tampouco leveza e coordenação. Sendo assim, cancelei essa rotina que não me pertencia e investi numa esteticista que cuidará da minha celulite ao som de Enya. Voltei a sorrir.