O fatídico dia em que ganhei o apelido de Miguelito

{ quinta-feira, 8 de março de 2012 }
Cucurrucucu


Nada mais coerente do que o Dia Internacional da Mulher para falar sobre bigodes. Sim, bigodes. Sei que é horrível tratar sobre esse assunto e muitas de nós fazemos careta só de pensar, mas, temos que admitir que esse adereço do rosto não é algo exclusivamente masculino.
A verdade é que todas nós temos aquela coisinha escurinha horrorosa embaixo do nariz e acima da boca. Umas com suas descendências portuguesas e espanholas mais, outras menos, mas o fato é que o enfeite peludo é geral – de colegue de pochete até a cocota descolada. Se o pêlo não for pretinho, é dourado, tornando-se ainda mais inadmissível, visto que penugem descolorida na cara é coisa de funkeira de sobaco cinza. Portanto, resumindo, a depilação é o melhor remédio para nós, vaidosas mulheres que queremos esconder essa imperfeição do resto da sociedade.
Eis que, prestes a viajar para a praia, caio na armadilha de minha própria vaidade. Acostumada a me depilar com cera fria, invento, de última hora, tacar um treco quente e puxar com toda a delicadeza que me foi mandada pelos Céus arrancando uma camada da pele junto. O resultado, me arrepia só de lembrar: fiquei a cara do Zé Bonitinho.
Após assar o buço, valeu tudo: primeiro me descabelar, lógico, depois ligar desesperada para a esteticista em pleno domingo e, por último, passar por um clínico geral no plantão do convênio que me aconselhou a dar tempo ao tempo para curar aquela calamidade – ele não podia fazer muita coisa a não ser rir da minha cara pelas costas.
Naquela noite, dispensei compromissos, taquei uma camada grossa de creme para assaduras de bebê e fiz compressa com chá de camomila gelado. Para dormir, arrematei com um Nebacetin e orei com toda fé para que todas as entidades próximas, pomba-giras, anjos e depiladoras desencarnadas operassem um milagre. Com certeza, o socorro inicial foi muito útil, mas óbvio, não curativo.
Na manhã seguinte, acordei com o buço pesado, mas mesmo assim corri para o espelho na esperança daquele pesadelo ter acabado. Porém, no lugar do alívio, ganhei um bigode cascudo e marrom e, naquele dia, tive certeza do amor incondicional do Gustavo – porque se eu tinha vontade de me jogar pela janela, imagine ele. Ao me ver chorar e espernear como toda mulher equilibrada faria, disse com aquela paciência que lhe é usual que estaria pra sempre do meu lado, com bigode ou sem bigode, me abraçou, me acalmou e me apelidou carinhosamente e cinicamente de “Miguelito”, afinal eu estava mesmo a cara de um mariachi.
Aquela segunda-feira parecia não ter fim. Não saí de casa o dia todo mas, desgraçadamente, justamente naquela noite, tinha uma reunião inadiável. A única solução foi fazer uma make digna da Vovó Naná e rezar para que ela não craquelasse durante minha apresentação. A impressão que eu tinha é que, a qualquer momento, meu rosto ficaria marmorizado e, para evitar isso, independente da conversa, minha expressão era sempre mesma – procurei trabalhar apenas a parte inferior dos lábios e sorrisos simpáticos estavam fora de cogitação.
Minha fase Frida Kahlo, ou Maria do Joaquim, tem que servir para alguma coisa. Então, aproveito essa história para indicar para as colegues lesadas que tiverem o azar de assar o bigode como eu a substância milagrosa receitada na manhã de segunda pela minha dermatologista que, literalmente, salvou minha pele: Mater Care é o caminho. Trata-se de uma cera que é utilizada para proteger os mamilos de mulheres na amamentação e ajuda na cicatrização. Carésima, mas eficiente – e naquela situação, eu permutaria meu carro ou até uma córnea, se fosse preciso. Na terça-feira, a casca grossa se diluiu e, à noite, eu já não tinha mais nada. Deu até pra fazer um happy hour com os amigos.
Então, já sabemos o que usar em caso de acidentes. Agora, aprendam, bigodudas, a utilizar também o bom senso e o protetor solar para evitar manchas e a comprar produtos de qualidade e que você já esteja acostumada a usar. Ou, a ir a uma depiladora profissional que não vá fazer porquice na sua cútis.
E, o mais importante, temos que saber rir das nossas cagadas, de preferência, sem aquele precioso bigodon que nos deixa ainda mais parecidas com papai.
Beijos do Miguelito.

Nosso querido Charles White

{ domingo, 19 de fevereiro de 2012 }



Dizem que se cunhado fosse bom, não começava com sigla tão ingrata. Discordo.
Quando tinha cinco anos, minha irmã, 18 anos mais velha, se casou. A Ti sempre foi minha heroína. Uma mulher incrível: linda, independente, briguenta, uma sagitariana típica, com gênio forte, mas coração de manteiga.
Seu signo é regido pelo elemento fogo, o mesmo que rege o meu, e, talvez por esse motivo em especial, sempre mantivemos uma afinidade sem tamanho. E é óbvio que, com seus atributos, só poderia ter atraído um companheiro à altura.
Eis que surge em cena – e em nossa família, o Carlos. Carlos Branco, chamado carinhosamente por mim, desde sempre, de Charles White – enquanto eu era a Olívia, talvez pela semelhança com a namorada magrela do Popeye.
Logo após o casamento, decidi que queria ser batizada. De família espírita, não possuímos tal tradição. Porém, com a chegada de minha sobrinha cinco mais nova que eu, que ganharia um par de padrinhos em breve, informei aos meus pais que também queria uma cerimônia de batismo e tive o direito maravilhoso de escolher quem eu gostaria que ocupasse cargo tão importante: Ti e Carlos.
Vivemos histórias incríveis. Mesmo que em alguns momentos de nossa vida a distância geográfica pudesse atrapalhar um pouco nossa convivência, sempre estivemos com os corações em proximidade, rindo das alegrias e nos amparando nos momentos de perrengue, afinal, para o amor não há fronteiras.
Algumas lembranças são muito fortes: os presentes de Natal que eram os mais esperados forever. Lembro da Copa de 94 que assistimos todos juntos em Cuiabá e eu, com 14 anos, esperava ansiosa meu cunhado voltar do trabalho para bicar sua cerveja vendo os jogos. Recordo com gratidão também de quando eles consertaram meu carro na surdina, quando eu estava na faculdade e não tinha dinheiro nem pra comprar uma calcinha. Lembrança boa a do Reveillon do ano passado no Guarujá, quando eles encheram o carro de guloseimas que eu gosto, como se eu ainda tivesse sete anos.
E eu vejo que não poderia ter escolhido dupla tão incrível. Ela, a descontração em pessoa. Ele, a bondade. Ela, a determinação, ele, a paciência. Ela e ele a generosidade para ajudar quem os cercam – inclusive a mim.
Eis que ele se foi ontem, após quatro meses de uma doença terrível, que poderia ter se estendido e estendido sua dor – e a nossa também. Mas sua missão foi cumprida bravamente e ele se foi logo, deixando um vazio sem tamanho. Foi um bom pai, bom marido, bom amigo. Um ser humano maravilhoso e caridoso como poucos que já conheci.
Deixou a Ti, minhas sobrinhas May e Thamy e uma família que não era a sua de sangue, mas que o adotou há quase 27 anos, quando ele conheceu minha irmã. Deixou também uma infinidade de amigos que, ao descobrirem sua doença, quiseram retribuir sua bondade silenciosa na terra – que, em alguns casos, até sua família desconhecia, pois caridade mesmo, a gente não divulga.
E, quando me pego chorando pela partida do Charles White, explico aos que me cercam que ele não era apenas meu cunhado, o marido da minha irmã: era meu padrinho, que tive o imenso prazer de escolher, um grande amigo e um irmão querido - mais um que eu perco nessa vida
Esteja sempre com Deus, Charles White. E repito: para o amor não há fronteiras.

30 Minutos com a gente!

{ quinta-feira, 19 de janeiro de 2012 }
Sei que estou postando o vídeo abaixo com um mês de atraso, mas segue pra quem ainda não assistiu a entrevista bacanona feita pelo pessoal do Programa 30 Minutos da Barão de Mauá que foi ao ar no canal 20 em dezembro do ano passado, com esta que vos escreve e com duas blogueiras show de bola aqui da terrinha: Fran Micheli e Analidia Ferri.
Fomos convidadas para falar um pouco sobre o universo dos blogs aqui no interior e olha, devo informar que é bom pra caramba tamanho reconhecimento em relação às nossas linhas escritas e aprovadas pelos queridos leitores.
Este Calma! agradece o carinho e promete estar mais presente em 2012.



Bom feriado de São Sebastião, ribeirãopretanos. Boa sexta de trabalho, amigos de outros territórios!

Ex

{ terça-feira, 17 de janeiro de 2012 }
Então que a medicina estabeleceu em nota que a palavra ‘ex’ é a causa de grande parte da esofagite do mundo. Isso acontece porque cada vez que você pensa que aquele ser que você venera já viveu bons momentos com outra pessoa, uma pontada atinge em cheio a boca do seu estômago, praticamente antevendo uma úlcera nervosa.
Parece bobagem, mas na maioria dos casos, a comunidade médica indica o confronto com a realidade. Gastros, Psicólogos, Psiquiatras e Psicopatas garantem que a melhor forma de curar o mal da(o) ex é trombar no presente (mais-que-perfeito) com o exu que ficou lá no pretérito (imperfeito, óbvio).
Cientistas afirmam que com doses de autoestima ministradas regularmente, a moléstia gravíssima que antes tinha sete cabeças, oito olhos e várias bocas beijoqueiras e mãos insuportavelmente acariciadoras, costuma se transformar em algo insignificante, como, no máximo, algo semelhante a uma alergia a felinos.
A pesquisa está amparada em diversas teorias, entre elas a Lei de Darwin, que demonstra que estamos no mundo para evoluir e que os bons conseguem pegar os melhores pedaços do filet mignon ao molho madeira com o maior número de champignons.
E a comunidade científica ainda completa: Omeprazol ou antiácido estão dispensados. Os erros e acertos daquela criatura, vulgo ex, que está ali, desconfortável com a realidade do confronto casual, serviram para trazer melhorado, próximo à perfeição que o amor presenteia, o que hoje é todo seu. E com o(a) ex e seu novo affair, deverá acontecer o mesmo. E por aí vai, sem tanta necessidade de magnésias bisuradas.

Cheers!