A estranha relação entre o casamento e as calorias

{ sábado, 16 de novembro de 2013 }

Um fato importante que todos precisam saber: casar engorda. Talvez porque você troque a estressante e corrida vida de baladas por restaurantes a meia luz. Também existe a possibilidade de que antes você vivia apenas de cerveja e Cheetos Requeijão e hoje você conhece de cabo a rabo os menus completos do Keeki ao Rei da Coxinha. Quem sabe também o motivo seja aqueles churrascos de antes em que só serviam frango – que é super light e te ajudava na dieta forçada – e hoje você participa ativamente de rodízios completos mensais argentinos porque essa obrigatoriedade está no manual dos pares.
Me lembro de já ter começado a engordar durante os preparativos do casório, ou seja, só de falar em casamento, minha bunda, feito mágica, encheu de celulite – o que demonstra que a associação entre casar e ganhar peso vai muito além do entendimento humano. Dá-lhe muita academia e drenagem linfática pra não precisar usar uma calcinha bege que cobre até as costelas durante o dia mais importante da minha vida.
Na Lua de Mel, outro fato é importante de ser dito: come-se muito – inevitável o duplo sentido. Sempre te indicam os restaurantes mais badalados, todos os dias, independente de quanto tempo você esteja por lá – e eu não consigo me revoltar com isso porque, afinal, onde há comida, há diversão. E você, com resignação, segue seu destino ultramegacalórico sem pensar nas consequências. O amanhã, minha cara, é logo ali, na volta à realidade...
O retorno da lua de mel é a cereja do bolo: o casal costuma estar naquele momento de adaptação e, se ainda estiver de férias, pedir uma pizza, um lanche, um japa ou uma panqueca ao molho bolognesa para não ter que cozinhar, faz parte dos planos três ou quatro vezes por semana. Voltando à rotina de trabalho, com a correia do dia-a-dia somada à readaptação da vida nova, gororobas continuam sendo a melhor opção - e você que é solteira é bom não julgar, fía. Sua vez chegará. Essa é minha vida após quase um mês em que me tornei uma senhora.
Mas uma coisa eu e meu culote garantimos: mais vale dois companheiros curtindo juntos a delícia que é essa fase de engorda do que transformar momentos intensos de apreciação gastronômica em horas desnecessárias de culpa. Minha dica é: aproveitar tanto o casório, quanto o prato do dia pois ambos são uma delícia. Quanto os pneus que sobram, deixe para cuidar deles na segunda-feira que vem.




Minta para mim

{ sexta-feira, 6 de setembro de 2013 }

Quando assistia esporadicamente à série de Samuel Baum, Lie to Me, na Fox, não imaginava que um dia, pós-abençoada Netflix, ficaria tão vidrada nos sinais da mentira. A série, cujo (anti)herói é o psiquiatra Cal Lightman, me desperta mais do que curiosidade sobre os curtos-circuitos que nosso corpo rebenta com lorotas, mas também uma certa ansiedade para desvendar vestígios de omissões tanto na série quanto na vida real, porém com subsídios científicos. Lightman é contratado pelo Governo para ajudar em casos delicados do FBI.
Obviamente, não dá para levar a ferro e fogo os sinais caricatos da série, mas estes são referências para que seres humanos mais observadores possam distinguir uma verdade, uma mentira por trás da verdade ou, simplesmente, uma mentira. Existem centenas de livros que abordam as expressões corporais - já li alguns - mas Lie to Me vai além: ensina que as microexpressões fornecem indícios de conversa fiada para boi dormir: pupilas dilatadas, lábios apertados, sorrisos falsos, sobrancelhas arqueadas.
Li que o mocinho rabugento da série foi inspirado num cientista, o psicólogo americano Paul Ekman, que provou que as expressões faciais são componentes da natureza humana e não reflexo da cultura de cada povo, ou seja, somos todos iguais na mentira – uns se saem melhores que os outros, óbvio, e acho que até isso se encaixa no que sugere a Lei de Darwin.
E outra coisa: todos nós mentimos, sem exceção. Mentimos para nos proteger, para proteger o próximo, para não nos expormos ou simplesmente porque queremos  mentir naquele momento e dane-se. E quando mentimos, nosso corpo borbulha involuntariamente e denuncia as emoções reais por trás de um discurso fajuto. Nosso físico não foi programado para mentiras. Nosso cérebro denuncia nossas pantomimas pois não foi programado para "lembrar" de algo que não é real. Nesses casos, Lightman é como um Dr. House, porém, um detetive diagnosticando lero-leros.
É sabido que não existem técnicas 100% confiáveis para detectar mentiras. Nem o polígrafo é tão eficiente. Nem uma vidente porreta teria esse dom espetacular de acertar na mosca cada bazófia. O cientista da série mesmo cai na maioria das engrupidas da filha adolescente. Porém, já bastante avançada na segunda temporada, ainda não vi nenhum menção ao sexto sentido feminino para mentiras – tirando nossos momentos de fraqueza em que apegos emocionais de qualquer espécie podem avariar nosso radar – nós mulheres temos lá uma sabedoria instintiva para detecção de balelas, seja lá por quem forem proferidas, né não? Talvez por isso, o tema tenha me atraído tanto; como diz a sabedoria popular: de vez em quando é importante que todos nós nos façamos de mortos para poder traçar o fiofó do coveiro.

Cinco anos da nossa princesa

{ quarta-feira, 8 de maio de 2013 }



Lembro até hoje o dia que soube que ela viria ao mundo. Na verdade, depois de papai e mamãe, fui a primeira a saber. Ainda não tinha ciência que era uma menina, mas já torcia para que fosse. E quando realmente tive a certeza, chorei de alegria - e comprei seu primeiro sapatinho.

Seria tia pela sexta vez e já deveria estar acostumada com essa emoção de amor gigante, mas no caso dela foi diferente. Pela primeira vez seria tia com idade coerente para assumir essa função tão especial - e não uma tia-prima-irmã-amiga que brinca junto e chora quando a sobrinha arranca a cabeça de sua boneca preferida.

Lembro da emoção de tia boba de quando ela nasceu. Desmarquei compromissos e fiz plantão no hospital. Babei na primeira fotinha que aparece aos visitantes da recepção – não só por ser coruja, mas porque realmente era um dos bebês mais lindos que já tinha visto.

A nossa princesa faz hoje 5 anos e continua linda, delicada, vaidosa, inteligente. A única criança que conheço que, além de mim em miniatura, prefere ganhar roupa bonita ao invés de brinquedo. Tenho orgulho por ela admirar a tia perua, adorar os meus esmaltes e pedir colinho quando me vê. E adoro saber que ela puxou a mim também no sorrisão - o outro único bocão da família Komar.

Maria Fernanda, a titia te ama. Parabéns e que seu caminho seja cor de rosa e cheio de brilhos, do jeitinho que você gosta.

Corte, costura e vida radical

{ quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013 }

Ok, podem me recriminar. Mal comecei as aulas de corte e costura e já precisei “colar” na primeira avaliação. Pensem bem: como alguém consegue ter habilidade pra fazer com que três linhas se encontrem numa mesma costura assim, de primeira, sem nunca ter pregado um botão na vida?

Pra começo de conversa, já estou frequentando o curso como se fosse pra guerra e isso me limita um pouco. Quem falou que futebol americano é uma atividade perigosa não sabe o risco que estou correndo: não posso ir de cabelo solto, pois a máquina pode me escalpelar. Nada de penduricalhos que podem me deixar presa e agonizante na agulha. Sapato aberto nem pensar visto que um alfinete ou tesoura podem fazer meu pé sangrar até a morte. Meu uniforme: jaleco, óculos protetores, dedal e muita coragem.

Quarta-feira foi minha segunda-aula do curso, aquela de apresentação dos equipamentos e, eu e a Mayara, minha sobrinha e companheira de classe, caímos com a máquina que afirmam ser a mais fácil, mais usada para tecidos retos, como algodão e jeans. Mesmo assim, me senti como que atravessando duas montanhas por meio de uma corda bamba e, a qualquer deslize, ao invés de me esborrachar, receberia um zero da professora, o que seria bem humilhante.

O primeiro carretel, você faz um caminho de bêbado com a linha: passa no buraco de trás pra frente, de novo, de trás pra frente, de cima pra baixo, repete a operação, prende na roldana, passa pelo pininho, prende no ganchinho, desce em outro gancho, sobre pro outro, desce pra outro pininho, prende na alça e, enfim, passa pelo buraquinho minúsculo da agulha. Acho que é isso e até aí, tudo bem: sempre fui rápida em aprender e decorar as coisas - mesmo porque, desde sempre, gosto de acabar a tarefinha logo pra poder conversar mais.

O segundo carretel, da costura de baixo, é mais simples, apenas uns quatro procedimentos. O terceiro é que o bicho pega: usar a joelheira para subir a agulha, colocar o carretel no sentido horário com a alça virada pra mim e a linha pendurada por baixo da máquina. Juro que de forma mágica, depois que numa total ação de coordenação motora usando minha mão como direção e meu pé como embreagem, as duas linhas deveriam se encontrar lindamente.

Não é possível que eu não consegui fazer isso. Uma, duas, três vezes... nada! As linhas estavam inimigas, de vendeta, tipo Israel e Palestina na Faixa de Gaza. Me apeguei na esperança de que a máquina estivesse com defeito e pedi ajuda à colega já costureira que de prima fez o último procedimento num tapa e pude mostrar à professora, enfim e cansada, a operação finalizada para poder ir embora pra casa totalmente frustrada. Juro que nem no gerenciamento de crise mais difícil da minha carreira me senti tão intimidada como naquela hora.

Me senti culpada. E descoordenada. Fora isso, estou adorando o curso e sei que loguinho comprarei minhas máquinas e farei das linhas e agulhas mais um hobby divertido – e radical. Vou mantendo vocês informados sobre os próximos acontecimentos. Enquanto isso, acho que vou utilizar meu horário de almoço na caça de uns bons tutoriais para não fazer feio na próxima aula. Afinal, fui incumbida pelo meu noivo de costurar seus próximos ternos e ninguém vai querer ver o Gustavo de calça pula-brejo nem de camisa com o bolso na costela. Né?

Elas estão descontroladas

{ quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013 }
Nesses 15 anos em que acesso a internê, recebi sei-lá-quantos emails além de posts em redes sociais com dicas infalíveis de como a mulher deve se portar para atrair - e manter - o homem amado. Que Oprah pode ter dito e que Martha Medeiros supostamente aconselhou. Têm livros destinados a ajudar mulheres inseguras. Tem até promessas de cartomantes. Um festival de autoajuda e de apelo publicitário de quinta categoria - e inútil para quem tem o mínimo de massa cinzenta. E, detalhe: a autoria da maioria dos textos nem é confiável e, mesmo assim, algumas ínguas da ala feminina espalham essa ‘lei divina para o bem viver’ como se fosse metástase. Até Veríssimo dava conselhos para a turma das calcinhas.

 E os ensinamentos de dar medo de algumas revistas femininas? Faça isso, faça aquilo, "seja a cereja do bolo do seu amado" (oi?); "15 técnicas que levarão o homem desejado à loucura" - e também o seu suado dinheiro nessa porcaria de publicação. Vi hoje uma reportagem num programa matinal (cuja a audiência é garantida pela mãe da apresentadora e também pela minha. Apenas, acho eu.) em que a quarentona afirmou em rede nacional que, "pra quem está solteira, qualquer homem serve". Juro.

Não bastasse tudo o que já tenho mastigado com espanto esses anos todos, me deparo hoje também com o site de um livro dedicado a ensinar a arte da sedução feito "magia". Dentre os itens do aprendizado com o top seller: "Como atrair a atenção de um novo homem a ponto de você não mais sair de seus pensamentos" e "como parar de ser rejeitada pelos homens". Macumba?

Se existe a oferta é porque também existe a demanda. Tem mulher tão desesperada atrás de um bom partido que esquece que também pode ser uma benção na vida de alguém. Quando a pessoa se sente bem e se dá o devido valor, exala autoestima e coisas boas sempre surgem, em horas inesperadas - fora que o amor próprio e a alegria são afrodisíacos. E isso é tão óbvio que nem preciso ser PHD em relacionamentos humanos para ter certeza e assinar embaixo com uma pretensão ímpar o que estou falando.

Agora, as pessoas são diferentes, e os carmas e as vitórias no amor não escolhem a gente pelo cabelo impecável, cinturinha de pilão, bunda gostosa ou pela cor do esmalte. Nem por ser meiguinha ou megablasterfodidona. E nem pelos malabarismos que você sabe fazer entre quatro paredes. Desde que o mundo é mundo, mulheres maravilhosas se ferram no departamento amoroso, marmanjos boa pinta morrem sozinhos e, por sua vez, pessoas que parecem ter sido apagadas a marretadas de uma fogueira, se deram bem e são felizes consigo e com seus pares. Visualizemos que não se trata de receita de bolo e tampouco de característica física ou técnicas do Kama Sutra.

Queremos sim viver num mundo com muita paixão. Amar é bom, é divino! Faz bem pra alma e para a pele. Queremos sim um par especial, a tampa da nossa panela, alguém pra vida toda, pra envelhecer junto e compartilhar momentos, todos eles. Poxa, agradar o outro é bárbaro, longe de ser submissão. Compartilhar uma vida é indiscutivelmente algo maravilhoso. E não adianta conselhos e truques da sua amiga mensal folheável ou de um livro que não custa menos de três dígitos ou, ainda, dessa minha constatação: quem ama, ama, sem grandes explicações mas, a admiração pelo outro é o combustível que move o amor verdadeiro. Ponto.

Tem muita mulher aflita por aí. Talvez aqui no Brasil a desculpa é que somos mais da metade da população ou até mesmo a muleta cultural de que todo homem é canalha então dane-se se a atenção não é recíproca - papo de feminista masoquista de cabelo ensebado. O que importa é que a obrigação de manter um casamento não é só da mulher e desculpa aí se estou enganada, mas não vejo tanto artigo com o tema "como segurar seu par" destinado a homens.

É que isso, ao meu ver, deve ser uma preocupação mútua, porém natural, cotidiana, e não um ato desesperado de um dos lados da corda. Não se pode ser carente a ponto de abrir mão de sua vida para fazer o outro feliz, esquecendo totalmente de si e camuflando seus  próprios desejos. O sentimento de um não pode ser mais importante que o do outro. O respeito à individualidade de cada um deve estar em primeiro lugar - e às vezes isso é muito difícil num casamento porque simplesmente ninguém é perfeito nem 100% compreensivo. 

Só penso ser um desperdício de felicidade dar tanta moral para dicas pré-fabricadas de redatoras que não fazem sexo há mais de uma década ou de gurus da autoajuda que vendem frases feitas para mulheres desesperadas ou de textos que chegam em PPT na caixa de emails os quais nem sabemos a procedência. E também não acho que se preocupar sobremaneira com a busca incessante por um par seja algo saudável. Conseguir ser feliz consigo mesmo contagia. Aí, acho que fica mais fácil dar de ombros pra tantas orientações malucas, conseguindo da forma mais simples atrair pessoas especiais, ou simplesmente, mantê-las.

E se essa tal pessoa ainda não for a tampa ideal da panela, beijo pra ela. Se for, é só fazer a manutenção: regar o jardim todos os dias com carinho e criatividade para brotarem flores cada vez mais exuberantes e esperar o mesmo e nada menos do que isso do sortudo em questão. 


E acredite, esse último parágrafo não tem o custo dos livros nem das revistas, mas tem um imenso valor. Pelo menos para mim.

Carnaval

{ sábado, 9 de fevereiro de 2013 }

Carnaval, ah, o carnaval e tudo o que ele inspira, que ele promete, por quatro dias e cinco noites. É como se fosse um pacote de viagem, daqueles comprados por alguém que já não aguenta mais o peso de sua própria existência naquela rotina insuportavelmente abafada, limitante, vazia, sem novas alegrias.
Ser outra pessoa, fantasiada ou não. Aceitar o brilho como algo belo; a nudez como arte; a bebida como adereço obrigatório; o beijo, o amasso, aqui, ali e acolá, com ele, com ela, com eles, como um comportamento normal, que será apagado de uma história engravatada como se nunca tivesse acontecido.
Ser um pierrot, uma colombina. Fazer da criatividade a sua pele. Fazer da sua pele o que você sempre quis ser. Esquecer amores passados, dores latentes, por tempo determinado. Transformar o mascarado em seu novo amor, nem que seja por cinco minutos. Ou fazer da bela morena rebolativa sua própria rainha do Carnaval. Ou ainda, pular compassadamente com a alma gêmea, dentro e fora do salão.
O Carnaval nasceu muito antes de Cristo como festa pagã de agradecimento aos deuses pela fertilidade. Mais pra frente, tornou-se evento cristão, em que o pecado da alegria era cometido, mesmo não sendo aceito. Hoje, praticam-se pecados e a fertilidade é tema de súplicas – para que seja ignorada – na quarta-feira de cinzas.
O carnaval é colocar máscaras ou deixá-las cair. É não ter medo de brincar, de se metamorfosear, de correr atrás do trio elétrico. É jogar confete nas ruas. É decorar marchinhas. É momento de fazer o pandeiro tocar o coração. Ou apenas, é época de descanso, em que a felicidade maior é botar o pé na areia ou o corpo numa rede. É o feriado em que tudo é possível. É tempo de viajar - nem que seja para um mundo só seu.

Declaração de desaniversário

{ quinta-feira, 31 de janeiro de 2013 }

Há cinco, seis anos, todas as vezes que via aquele cara gigante passar e me cumprimentar com um sorrisinho no rosto, prestava atenção em seu olhar: verde e doce, feito a jujuba que eu mais adoro. Nunca podia imaginar que ele transformaria minha vida.

Há um ano e nove meses que viajo atrás de um ônibus com apito e pompom na bolsa pra torcer por um esporte que, antes dele, detestava; que ele ri das minhas piadas sem graça; que ele me serve café na cama; que eu amo fazer os pratos preferidos dele, mesmo que me engordem; que ele odeia DR e eu insisto em adorar; que ele faz massagem no meu pé a contragosto porque quer ler o Twitter; que ele briga comigo porque torro o meu dinheiro em sapatos; que eu brigo porque quero passar mais tempo com ele; que eu tento explicar que a vida não é cor-de-rosa, mas que é mais doce com ele ao meu lado; que ele entende minha descoordenação motora e me recolhe do chão quando eu caio feito um saco de esterco; que ele não entende minha TPM; que eu também não entendo a minha TPM; que Deus não entende minha TPM; que ele fica bravo por eu usar saia curta; que eu fico com raiva quando a gente briga e ele me ignora; que ele pede a vez pra poder conversar também; que ele acha que tem sempre razão numa briga (taurinos...pfff), mas é mentira; que um acompanha o outro até em inauguração de bueiro; que ele dorme vendo meus filmes europeus; que ele me obriga a ver filme de carro que vira robô; que eu acordo na madrugada e fico babando no loiro dormindo do meu lado; que ele sapateia atrás da parede fingindo que está subindo a escada só pra eu ficar esperando na porta; que me dá tapas doídos na bunda toda vez que estamos subindo juntos a escada; que odeio quando ele assiste FA aos domingos; que eu brigo pra ele passar protetor solar; que aprendi a gostar um pouquinho do São Paulo; que ele tira minha calcinha pendurada no registro quando vai tomar banho pra não molhar; que ele lê meus pensamentos mais secretos; que me deu a Girafa mais linda de Dia dos Namorados; que eu elogio as sardas do ombro dele que mais parecem pinceladas do Van Gogh;  que ele se diverte com meus porres; que ele me ensina a usar dispositivos tecnológicos; que ele faz as gracinhas mais engraçadas da Via Láctea; que a gente empurra a louça suja um pro outro feito um prato de dobradinha; que eu me apossei do armário e da sapateira dele, e também da sala e da cozinha, sem culpa; que ele me protege apenas com um abraço; que eu me sinto a mulher mais incrível do mundo quando ele me pega pra dançar; que eu ainda me estremeço inteira quando toco nele; que ele faz com que eu me sinta linda e especial todos os dias.

Não é nosso aniversário de namoro, noivado, nem coisa parecida. É que hoje ele chega de viagem... quatro dias que mais pareceram uma missão à Lua e eu estou ansiosa para abraçá-lo e curti-lo pois, há um ano e nove meses, as coisas da vida não têm graça sem ele.