Carnaval

{ sábado, 9 de fevereiro de 2013 }

Carnaval, ah, o carnaval e tudo o que ele inspira, que ele promete, por quatro dias e cinco noites. É como se fosse um pacote de viagem, daqueles comprados por alguém que já não aguenta mais o peso de sua própria existência naquela rotina insuportavelmente abafada, limitante, vazia, sem novas alegrias.
Ser outra pessoa, fantasiada ou não. Aceitar o brilho como algo belo; a nudez como arte; a bebida como adereço obrigatório; o beijo, o amasso, aqui, ali e acolá, com ele, com ela, com eles, como um comportamento normal, que será apagado de uma história engravatada como se nunca tivesse acontecido.
Ser um pierrot, uma colombina. Fazer da criatividade a sua pele. Fazer da sua pele o que você sempre quis ser. Esquecer amores passados, dores latentes, por tempo determinado. Transformar o mascarado em seu novo amor, nem que seja por cinco minutos. Ou fazer da bela morena rebolativa sua própria rainha do Carnaval. Ou ainda, pular compassadamente com a alma gêmea, dentro e fora do salão.
O Carnaval nasceu muito antes de Cristo como festa pagã de agradecimento aos deuses pela fertilidade. Mais pra frente, tornou-se evento cristão, em que o pecado da alegria era cometido, mesmo não sendo aceito. Hoje, praticam-se pecados e a fertilidade é tema de súplicas – para que seja ignorada – na quarta-feira de cinzas.
O carnaval é colocar máscaras ou deixá-las cair. É não ter medo de brincar, de se metamorfosear, de correr atrás do trio elétrico. É jogar confete nas ruas. É decorar marchinhas. É momento de fazer o pandeiro tocar o coração. Ou apenas, é época de descanso, em que a felicidade maior é botar o pé na areia ou o corpo numa rede. É o feriado em que tudo é possível. É tempo de viajar - nem que seja para um mundo só seu.

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