Dia Mundial da Síndrome de Down

{ sexta-feira, 21 de março de 2014 }
Minha mãe conta que desde pequena sempre falei que seria Jornalista. Mas, me lembro que na adolescência, fase de mudanças, várias outras profissões me encantaram. Pensei em Medicina, mas aí me lembrei que detesto sangue. Pensei também em fazer Direito, pois era o máximo a possibilidade de eu me tornar delegada, ser casca grossa e botar medo na bandidagem, porém, estudar aquele tanto de Lei me deu preguiça. Também cogitei ser veterinária por meu amor aos bichos, mas não iria aguentar ver cachorro sofrer e, portanto, desisti. Amava Arquitetura, mas, por sua vez, detestava números; gostava de Decoração mas acabei estudando por conta própria; adorava Moda, mas não tinha dinheiro pra comprar nem uma calcinha com meu salário de miséria. E por aí vai.
A que mais me deixou balançada e que foi uma concorrente de peso para Comunicação Social foi a Terapia Ocupacional. Na época, convivia com o Felipe, menino doce, inteligente e muito amado. Ele nasceu com a Síndrome de Down. Felipe me despertou um amor imenso e comecei a pesquisar sobre sua condição e uma forma de eu poder ajudar crianças especiais. Acompanhava com admiração a jornada de sua mãe, muito jovem e com uma força tremenda, que fazia o possível e o impossível para ajudá-lo a vencer as limitações, sempre com um sorriso de gratidão no rosto por tê-lo em sua vida.
Felipe participava de vários tipos de cursos e acompanhei boa parte de seu desenvolvimento na infância e de suas grandes conquistas e cada vez que ele falava meu nome com aquela alegria gostosa ao me ver, meu carinho aumentava – e nos abraçávamos com grande afeto. Eu era a “Iva” dele.
A vida da gente muda e segui caminhos diferentes do Felipe e, mesmo não o vendo por muito tempo, sempre pensei naquele menino com imensa ternura. Não cursei Terapia Ocupacional, pois acabei optando pela profissão que sempre quis trabalhar desde pequenininha, quando falava pelos cotovelos e encenava reportagens com os bichos de pelúcia. O engraçado é que foi a Comunicação que me levou de novo a ter contato com Felipe, pois hoje, minha empresa presta serviços para a mãe dele.
Sei que Felipe, aquele menininho divertido e sorridente, virou um homem lindo, extrovertido, com uma vida social de dar inveja e se supera todos os dias, contando com o respaldo e a paixão infinita de seus pais e irmão. E a minha afeição só aumenta por todas as famílias que ganharam essas crianças especiais e as têm como elas realmente merecem ser definidas: verdadeiros presentes da vida –  e nos mostram que com amor, os obstáculos diários ficam fáceis de serem vencidos.